quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Cuchi Corral - Pedernera

Como em La Cumbre, na decolagem de Cuchi Corral o vento estava de cauda, fui passear um pouco, pensei que tudo era próximo, mas depois de quase 2 horas caminhando, peguei carona mesmo, e os estudantes de Santa Fé desceram para o Rio Pinto, onde um monte de gente estava tomando sol, é do lado do pouso do parapente, nada mal !

Praia Argentina :)

Jantei com o Hernan Pittoco, que contou muitas histórias de suas aventuras de voo, é um dos grandes acrobatas de parapente, com records mundiais.  Voa vela da SOL SPORTS, fabricante brasileira de Parapentes.  Contou dos voos no Paquistão... e outras localidades completamente fora deste planeta.  Comentou que o pessoal começa a explorar a Cordilheira dos Andes de parapente, com muito cuidado é verdade, mas com voos promissores para o futuro, e quem sabe alguns grandes records mundiais.

Em contato com Panchi e Gege, pilotos locais, lá fomos nós para a decolagem de Pedernera, passamos pela agitadíssima Carlos Paz, que concorre com Mar del Plata como balneário mais movimentado do verão 2013.  Um transito danado...

No posto de gasolina, o QG de suporte aos condores da região 

Bem mais básico que os bons locais de voo de SP e sul de MG, o pessoal se encontra no posto de gasolina, e depois com menos carros andam mais um pouco na rodovia, o resto foi a pé mesmo, uma caminhada de uns 15min até a decolagem, a primeira rampa "selvagem" que fui.


De longe a decolagem de Pedernera já apresentava superdesenvolvimento, mas o otimismo... 

Caminhando para decolagem

Era na verdade uma etapa do campeonato regional da região de Córdoba, uns 30-40 pilotos apareceram, apesar das nuvens bem carregadas.  Eu pensando, acho que não vai dar voo, mas como todos estavam otimistas, fui na onda, afinal estava conhecendo um local novo.  

Esta é a rampa de Pedernera

Estava bem aprenssivo, pois da estrada só via pedras, vales com rios, ou seja nada de pastos, ou locais de pouso tranquilos que estou acostumado.  Mas lá em cima um piloto experiente perguntou quem nunca tinha voado neste local, e alguns gatos pingados levantaram a mão.  Explicou bem onde pousar, o que fazer se ficar abaixo da altura xpto, e assim tomei um pouco mais de confiança para as alternativas de pouso e principalmente de como ler o terreno bem diverso do costumeiro.

 Observando as alternativas de pouso 

 O pessoal ainda achava que ia dar prova, com briefing e tudo mais

 Esse foi o início da chuva

Todos ficaram completamente ensopados, choveu durante um bom tempo, esfriou etc etc etc, 

O tal do Locro me salvou de uma gripe, uma sopa bem quente, com bastante conteúdo 



sábado, 19 de janeiro de 2013

La Cumbre - Aeroatelier - O sonho !!!

Fui para o Santa Rosa de Colvara International airport, com o taxi que cobrou quase a metade da vinda... Como já era 17:00 tive que literalmente golpear a porta de entrada do deserto terminal de passageiros.  Alguns minutos depois apareceu o policial amigo que toma conta do aeroporto.  O pessoal do controle de voo já tinha ido embora.  Depois de aproximadamente 5 minutos de burocracia, desamarrei o avião e decolei rumo a La Cumbre.

Visual bacana da serra de Comechingones, desta vez sob outra ótica 

Passando pela pequena pista de Mina Clavero, outro local com rampa de voo livre

No pequeno aerodromo de La Cumbre, um piloto fez o sonho de qualquer voador, construiu um super hangar, e encheu de máquinas voadores de diversos tipos.  Vale a pena conferir, a idéia é poder aprender a voar quase qualquer coisa, de paraquedismo, passando pela asa voadora Swift, um monomotor Mooney, etc... 

 Pista do aerodromo de La Cumbre

Muitas possibilidades !!!

Chama muita atenção a excelente qualidade do hangar, de altíssimo padrão, não é apenas um galpão chamado de hangar, teve um arquiteto pondo a mão no projeto.  Aqui no inverno faz bastante frio com o contraste do verão bastante ensolarado e seco, a 1000m (3000") não faz tanto calor como em Merlo.

O escritório do hangar 

Sala de operações pilotada pela simpática Vicky

E todos os brinquedos voadores:



 Asas Swift

Até um antigo Mooney junto com o Sinus da Pipistrel 

A jóia da coroa, Taurus motoplanador ultraleve

Todos os brinquedos disponíveis para voar, em condição 100% de manutenção, incrível !!!!

O simpático restaurante do aeroclube, com gente em plena quinta feira, apreciando o por do sol



Eis que no hangar do aeroclube, onde coloquei o ZTO, um avião hermano !! Mesmo modelo, dono é um paraguaio que gosta de fazer acrobacia 

Merlo Voo Local


Jantar foi num dos famosos “café-bares” tipicamente argentinos, um pouco diferentes da capital do país, tem mesas na calçada o que permite ver um pouco do movimento.   Um dos pilotos de duplo, Pablo, apareceu e ficamos conversando sobre voos por todos os lados da Argentina. 

Amanheceu chovendo, isso as 7 e pouco da manhã, e pensei bom hoje não haverá voo, dormi mais um pouco, e depois das 08 o tempo iniciou sua mudança para melhor.  As 9:20 recebi o SMS do Guillermo, esteja pronto em 10 minutos passamos aí para te pegar, neste momento a cidade estava ensolarada e não se via mais vestígio da chuva da manhã.   


Uma chuva e pedras e pedregulhos desceu as encostas do caminho para o topo da montanha, esparramando pelo asfalto.  A visibilidade estava fantástica, uma pequena frente fria havia limpado o ar, e com isso um friozinho que não estava contando.  Não tive duvida pus meu macacão de voo e mais um pouco de roupa já as 10:30 da manhã.  

Toda familia prestes a decolar, frioooo

Esperei um pouco para decolar, o vento acelerou e lá fui eu  “repolhar a vela” para esperar o vento diminuir.  Como não diminuiu, me levaram para uma decolagem mais baixa, existe ½ dúzia de decolagens mais ou menos oficiais, e de lá consegui sair na boa.  Já era um pouco tarde, 15, voando pelas encostas da serra rumo norte.  

Gerando eletricidade para o restaurante no topo da montanha

Fiquei na verdade um pouco intimidado pois são montanhas altas, que vão até 2500m do nível do mar, diferente do Brasil, onde existem estradas e pessoas por todos os lados, aqui é totalmente selvagem.   Voei junto com condores que indicavam as térmicas, pena que não consegui fotografa-los.  

Visual da cordilheira de  Comechingones , dia limpíssimo

Indo para o Norte vi que a vegetação entre a montanha e a estrada, que fica uns 5-6km do pé da montanha era bem fechada.  Com nenhum outro parapente mostrando o caminho e com a base das nuvens uns 1400m do solo, não quis arriscar ir muito longe e encarar um pouso talvez complicado. 

A estrada para a decolagem, 95% asfaltada

Foi um voo local mesmo, mas que deu para curtir muito a vista magnifica, pousei no início da cidade e alguns minutos a pé me levaram de volta para o hotel, praticidade total. 

Valentina e primos me recepcionando no pouso

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Merlo / Carpinteria

Dei uma volta na simpática Merlo, com suas dezenas de turistas passeando e inúmeras lojas de ... ALFAJORES, são oferecidos por todo lado. Mas piloto tem outras prioridades, comprei um chip por R$5 , e carreguei R$10 assim agora tenho um telefone Argentino, importante para coordenar com o pessoal daqui a subida para a rampa, resgate, etc....  Em contato com o Oreja Rodriguez, ele e sua equipe me vieram buscar no dia seguinte na frente do hotel.  A bordo da possante camionete 1982 subimos para o Mirador de los Condores.  Estrada muito boa, asfaltada até o topo, com um trecho curto de “ripio”.   Existem vários outras decolagens onde outros pilotos de duplo levam levam turistas para voar.
Tipica praça de cidades no interior da Argentina, local para papear no final da tarde



A imponente cordilheira proxima a Merlo que vai até proximo a Cordoba


O local é muito bonito, com a decolagem mais alta de todas,  a 2120metros do nível do mar e um desnível acima de 1200m tem um visual muito bom.  Um restaurante de montanha bem montado, banheiros amplos e limpos, talvez um exemplo para Andradas seguir, enfim uma infra-estrutura que só é possível com planejamento e movimento de uma cidade bem turística.  Várias pessoas caminhando, fazendo tirolesa e voos duplos de parapente.

O restaurante, ao lado da decolagem


O piloto de duplo local, Oreja, me deu um briefing completo, explicando a dinâmica da região, ventos, pousos e outros detalhes.  Resolvi esperar um pouco e depois das 12 me preparei para decolar, antes decolaram 2 duplos, mas bem sossegado e amplo local para abrir o parapente.   Na primeira tentativa decolei suavemente, na frente enrosquei numa térmica de montanha fraca, a base das nuvens devia estar uns 300 metros acima do pouso, ou seja não muito alta.  Fiquei brincando um pouco na frente da rampa, mas não conseguia por os pés dentro da carenagem da selete.  Fiquei brigando com ela, pondo a perna para dentro para fora, e vi que tinha uma linha por baixo das pernas.  Bom então decidi que iria pousar, pois realmente atrapalhava bastante, e fiz uma aproximação tranquila, pousando no topo da montanha.  Como ela é bem larga, um pouso bem seguro sem rotores.

Na segunda decolagem, tive que tentar algumas vezes o vento diminuiu, e no final me dei com a decolagem Alpina mesmo.   Voei um pouco para o norte, mas não progredia muito, então resolvi pegar o vento de través e ir para o sul mesmo. Fiquei um pouco abaixo acima do pouso oficial de Carpinteria, mas uma chacoalhada térmica me catapultou de volta para a altura da rampa.  E assim fui voando em cima da rodovia, perdendo pouca altura, por vezes subindo reto mesmo, o dia estava bom, não espetacular.  

Visual na decolagem com 1200m de desnível

Alguma turbulência, mas nada diferente do que estamos acostumados em Andradas e Sta Rita.   As nuvens estavam mais bonitas em cima da cordilheira, mas a base estava um pouco baixo para ter um planeio confortável para estrada e por isso segui o caminho acima da rodovia mesmo.  Nuvens para o sul apenas fiapos, numa transição não consegui pegar o outro ciclo e comecei a ficar baixo.

Pousei em cima da estrada, no gramado ao lado, nenhum automóvel a vista dos 2 lados, uma beleza !!!  Voo deu 40km, não foi fantástico mas o suficiente para eu voltar muito feliz para o hotel. 


Depois de uns 15 minutos consegui carona de volta para o Andres Gurruchaga que faz Rio Cuarto - Merlo todos os dias, entregando todo tipo de pequenas mercadorias.  Paramos em vários vilarejos como, V. Larca, Cortaderas, Los Molles, Carpinteria antes de chegar a Merlo.

A super Fiorino 1992 estava na ultima semana de trabalho, na próxima vem uma camionete novinha em folha, segundo Andres o motorista que acabava de entregar peças para a oficina


Na estrada de volta esta linda "estrada" de nuvens, entretanto ela engana um pouco, pois estava plantada em cima da montanha, e ao redor das 1630 o vento Leste consegue ultrapassar o cordão, e entra uma cunha de ar frio, empurrando tudo para oeste, alguns minutos depois começou a se desfazer, mas estava bonito mesmo !!!  Eu voei em fiapos na maior parte do tempo.

Que céu lindo !!!

Ahh um detalhe, decolei na verdade em Carpinteria, que é a ultima decolagem do lado sul da montanha, mas no final tudo é Merlo mesmo, a cidade maior. Por isso nos campeonatos falam de Carpinteria, que é o municipio vizinho.

Chaves a Merlo


Já estava nos planos faz tempo voar de parapente na Argentina, mas não sabia direito onde ir.   Com a visita ao Campeonato Mundial de Planadores em Adolfo Gonzales Chaves, tive que levar o parapente comigo, dentro do pequeno avião RV7.  
Multiplos lagos ainda na Provincia de Buenos Aires

A necessidade da visita era alta, pois queria visitar tanto os amigos brasileiros participantes como os Argentinos que conseguiram organizar um evento de enorme proporção.  Para ter uma idéia o último mundial na América do Sul foi em 1963 !!!!! Infelizmente a meteorologia não cooperou com este campeonato, ano de El Niño a região foi inundada com frequentes e intensas chuvas nos últimos meses além de uma frente que estacionou em cima do aeródromo por alguns dias.
Camada de nuvens baixa em cima da serra próximo a Merlo

Parti de RV7 de Chaves rumo a Merlo, pequena cidade turística situado na província de San Luis, na base de uma serra que termina em Córdoba.   Durante o vôo vi as inúmeras lagoas formadas pelas chuvas dos últimos meses, confirmando mais uma vez a problemática para o campeonato.   Já próximo a Merlo, em cima da serra (2500m msl) haviam algumas nuvens com bom desenvolvimento vertical, bloqueando um pouco a travessia das montanhas.   Fiz um pequeno desvio, e voei paralelo a serra apreciando a paisagem.



Não tive dúvidas, fiz um rápido sobrevoo no local de decolagem de parapente, joguei um pouco de fumaça, e tomei o rumo para a pista de Santa Rosa de Colvara, situada a 20km a oeste.  Pista de mais de 2km ,habilitada a receber voos internacionais, nunca teve movimento.  O terminal de passageiros é lindo, amplos banheiros novamente para ninguém.   Já estava feliz que poderia guardar o avião em um dos 2 hangares enormes, nada feito, a chave estava como responsável que teve de ir a Buenos Aires.  Resultado, o policial federal me ajudou a manobrar o avião para eu parar na grama e conseguir bater as estacas para amarrar bem. 

O governo gastou milhões num enorme pátio de concreto para cargueiros, mas esqueceram de chumbar uns ganchos para amarrar aviões pequenos, resultado, tive que por na grama mesmo

Estive nessa região anos atrás, quando voei com o planador DG800b de Cordoba para o sul, e com a piora do tempo, tive que pousar em Vila Reynolds, base militar argentina, onde aliás fui muito bem atendido. 


Terminal fantasma mesmo !