quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Peru Fly

E um pedacinho da experiência de voar de parapente na costa Peruana.


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Prova 4 Roldanillo

Equipamento todo arrumado, já estava bem mais tranquilo para voar.  A rampa estava dentro das nuvens, até um pouco de chuvisco entrou, o que poderia ser um bom sinal.  Mas aqui a previsão meteorológica é inexistente, o que atrapalha bastante a comissão de provas, que monta as provas “no feeling” mesmo.  Vale do Cauca tem uma meteorologia muita distinta, pois está próximo do Oceano Pacífico e provavelmente inexistem estações de medição na região.  Os modelos como XcSkies / Winduguru baseados no Geos/NOAA não funcionam aqui, pois as particularidades são muitas e o modelão meteorológico não pega esses nuances. 



Distribuição de leite para a padaria onde nos encontramos para carregar o caminhão com os parapentes além de pegar os micro-onibus , higiene ... bem ...

Marcaram uma prova curtíssima, prevendo superdesenvolvimento das nuvens, com CBs, o que não ocorreu.   Sem acesso a informações básicas fica difícil mesmo.   Resolvi decolar cedo mas no final estava no meio, a luta para manter-se na base, sem entrar nas nuvens, e ficar bem posicionado na largada.  Base estava baixa, com térmicas fracas o que comprimiu os 130 parapentes num pequeno espaço, me afastei um pouco para diminuir a possibilidade de colisão.  Desta vez consegui largar bem, e cautelosamente fui para o primeiro pilão entre o vale e as escarpas da Cordilheira Ocidental.  Muitas velas voando rápido, mas claro que eram na sua maioria as de 2 linhas e as EN-Ds de 3 linhas.   Um pelotão foi pelas montanhas, no final deu tudo muito parecido.  O dia estava bem encoberto e fraco. 



Até as 11:00 estava assim o tempo na rampa, totalmente fechado, depois ainda chuviscou um pouco


Estava girando uma miserável térmica de 1m/s, quando vi um reserva dirigível aberto uns 2km na minha frente, e um Enzo ao lado descendo em espiral claramente para ajudar o piloto que iria pousar. Conversando com a Isabella, ela me explicou que estava numa térmica quando um outro parapente de 2 linhas entrou muito agressivamente acelerado na térmica, e quando soltou o “bar” (acelerador) o outro parapente subiu e entrou nas linhas dela.  Esta pilota é muito experiente, além de ser pilota de duplo profissional voa acrobacia também.  Foi interessante ver ela descendo com o paraquedas de emergência (Beamer 3) dirigível além do parapente principal ficar numa posição como uma “cauda de noiva”, vale salientar que ela tinha mais um reserva redondo.  E o outro parapente que desceu para ajudar ela era o marido, que estava liderando o campeonato até então.



Mas depois ficou assim o dia, lindo mesmo !!! Dia clássico com térmicas boas, e grandes bases

Voltando para a prova, após o primeiro pilão fui de modo cuidadoso pois a frente já havia sol, mas tínhamos que chegar lá, então misturando boas linhas com algumas térmicas fracas, fui caminhando em frente.  Uma gigantesca queimada de cana de açúcar era tentadora, estava na rota.  Mas além de ser proibido seria muito perigoso.  Acabamos subindo próxima dela, e para frente o dia estava lindo, clássico de Roldanillo com térmicas de 3m/s, o trabalho maior era fugir de algumas delas, para não ultrapassar o terrível limite de altura de 2.380m.  Havia como estava um pouco leve, o Carrera que estava do meu lado acabou chegando 1 minuto antes no ESS (end of speed section).  Foi uma boa prova para mim, fiquei em terceiro na classe Sport neste dia, subindo na geral para #2.   E mesmo assim fiz a prova 20min mais lento que o primeiro colocado da Open Class !!!


Esta didática imagem mostra como o vento do Pacífico (Oeste) que entra todos os dias, entre 12:30 e 14:00 limpa completamente o céu na Cordilheira Ocidental, inclusive na rampa de onde decolamos



Subi para segundo na geral, mas está bem batalhado, o primeiro muito a frente !!!

sábado, 31 de janeiro de 2015

Prova 3 Roldanillo

Como minha aterrisagem no dia anterior num pequeno campo foi meio em curva, acabei jogando longe o cano do lastro, então as 7:00 estava na frente de uma casa de ferragens tentando comprar braçadeiras de plástico.  Na Colombia nem as lojas abrem no horário, só as 7:15 as portas abriram, e estava com pressa pois deveria estar na sede do campeonato para colocar o parapente no caminhão.  Mas lá também tudo anda atrasando então sem problemas ! 



Decolagem principal de Roldanillo

Prova um pouco mais curta marcada, de 70km, infelizmente não temos previsão meteorológica alguma, então as provas são marcadas conforme a experiência dos pilotos da comissão de provas.  Acho estranho voar sem previsão de meteoro, mas assim está o esquema aqui.   

Inspecionando meu equipamento, vi que meu tirante estava descosturando, fiquei preocupado, mas um piloto experiente me falou que não haveria problema.  Mas claro que não decolei totalmente em paz. Vento de frente perfeito, fui em frente, subi bastante, mas em seguida começou o dia enrolado para mim, calculei mal, e fiquei baixo, sem nenhum sentido, e quando abriu a largada, estava eu ralando no chão.  Minha partida virara sobrevivência total, aos poucos consegui subir um pouco e fui para o Norte, apoiado nos morros, enquanto via os outros na estratosfera indo embora, arghhhhhhhh que raiva.  Fui de morro em morro, esperando uma térmica forte para subir, que não vinha.  E quando fiquei muito baixo mesmo, resolvi soltar um pouco de lastro, e aí o cano do lastro ficou na minha mão, vazou toda a água, e senti as calças meio molhadas...   Claro que logo depois a uns 150m do chão, já preparando para pousar peguei uma térmica de 2.5m/s e finalmente consegui subir e iniciar o voo de forma decente. 

Mas todos já estavam muito a minha frente, resolvi fazer um voo despreocupado, pois não tinha chance alguma de ir bem na prova, tinha ficado para trás.  Bati o primeiro ponto (pilão), e fui para o segundo, atravessando o vale do rio Cauca, vi alguns pilotos rodando baixo longe, subindo pouco.  Aí resolvi fazer algo diferente, fui pelo meio do vale, que mostrava bonitas nuvens, voei a convergência dos ventos Oeste (do Pacífico) e Leste (do interior), e por vários kms consegui voar mantendo altura e até mesmo subindo um pouco.  Com essa rota, passei muitos parapentes.  Virei a Oeste para ir a região com escarpas, e me juntei no próximo pelotão (gaggle).  



Em frente fomos nos ajudando com o tempo já bem encoberto, eu estava no lucro, pois tinha saído muito muito atrasado e quase pousado.  Infelizmente pegamos uma cobertura muita extensa a não conseguimos atravessar, todos foram para o chão, o céu já estava encoberto, com chuva no oeste.  Fiquei em 10 lugar no dia, e ainda estou na quarta colocação da SPORT mas preciso melhorar meu voo, em especial a largada já que foi o segundo dia que iniciei mal.   Jeison também precisa se concentrar mais pois acabou errando um detalhe e perdeu muito tempo.



Aprendendo a marchar ?

Como pousamos próximo do goal, apesar de faltar ainda um ida e volta, tivemos um resgate rápido, que nos levou para a chegada dos Top Pilots, dentro de um centro de treinamento do Exército Colombiano.  Pudemos observar a chegada dos 24 pilotos habilidosos da Open.



Levei o parapente para uma tapeçaria local, onde o filho do dono já especializou-se em reparar costuras de parapentes e seletes, e 1 hora depois todos meus problemas estavam resolvidos !! Além de arrumar o tirante, também fez alguns reparos na selete, e eu fui comprar braçadeiras para resolver 
o assunto do lastro.


Salvo pelo tapeceiro :)

Exposicion Equina em Roldanillo - Parece mais um Carnaval mesmo

Estamos com muita sorte pois Roldanillo está em festa total !!!! Bacana que não é feito para turistas, e sim para a população local.  Movimento absurdo na cidade. 









Ruas interditadas e o povo assistindo o movimento, cada dia um tema um pouco diferente




Carnaval fora de época ???


Muitos jipes decorados de forma totalmente distina



Boa Noite !!!

Prova 2 Roldanillo - Pouso no local mais remoto da minha vida

Fomos acordados as 4 da manhã pelos rojões anunciando o início da Fiesta de Roldanillo, algo bem rural com cavalgada no centro da cidade.  E a noite cantoria, musica, e mesinhas ao ar livre, a pequena cidade está em festa mesmo, com musica ao vivo, ruas fechadas com gente comendo e bebendo sentados ao ar livre, um astral ótimo. 

Os 2 caminhões levando os parapentes para a montanha       @Paulo Gusman


Prova de 99km foi marcada, com pontos colocados no outro lado do vale do Cauca, pois existia a previsão de entrada do vento forte do Pacifico.  Decolagens foram chatas, pois o vento Norte entrou com bastante força, na terceira tentativa conseguir sair do chão. Uns 15 pilotos decidiram não voar, estavam muito cansados e/ou receosos da condição turbulenta na frente da rampa.  Realmente estava bem mexido devido ao forte vento Norte, eu não levei nenhum susto com a vela Gin Carrera, acho que peguei o jeito dela. 



Visual na subida para a rampa, a parte de trás das montanhas, inseguro voar para este lado, além dos rotores, pela segurança física também




Esperando os parapentes serem entregues do caminhão       @P. Gusman




E a famosa escadaria de Roldanillo, bem íngreme, mas bom para um exercício

Já a largada foi complicada, tivemos que ir para o meio do vale, onde existiam poucas térmicas, resultado saí atrasado para a prova, vi lá em cima o primeiro pelotão saindo.  Ou seja erro básico de não ter decolado mais cedo.   Mesmo durante a prova, tivemos uma condição um pouco fraca, apesar da forte insolação, alguns trechos melhores, mas no geral... Voamos em cima de lindas montanhas.  No meio do voo encontrei o Jeison, e fomos mais ou menos juntos em frente.  Atravessamos alguns rios grandes, e fomos aos poucos nos metendo mais das montanhas.  Até que andamos bem, com alguns parapentes da classe open nos ajudando a encontrar aos poucas térmicas existentes.  Na passagem de uma montanha, fiquei indeciso de qual caminho tomar, a direita um parapente enroscara numa térmica, e a esquerda o Delta2 indo em frente, titubeei, e acabei no chão. 


Após o pouso caminhando nas trilhas para sair da montanha, junto com o Juan piloto Peruano que pousou no "meu" campinho 


 No caminho esta casinha, que nem chegaram proximo de nós, apenas gritaram, sigam em frente para achar a estrada para a cidade

O Pouso mais remoto da minha vida, um terreno de fazenda, pasto montanhoso, foi o local escolhido, meio torto, mas o pouso foi ótimo.  Alguns minutos depois pousou um Boomerang 9, no mesmo local, o piloto Peruano comentou que era o único local pousável da região.  Passou um rapaz que de longe apontou a trilha de saída.  Com Juan começamos a caminhada, por caminhos em descida que carro algum passaria.  Foi quase 1 hora de caminhada, com a leve mochila de 21kg do parapente e suas tralhas.  Vimos paisagens lindas, cachoeiras, riachos, e finalmente o rio Tuluá, quando chegamos numa estrada de cascalho.  



Descendo a montanha, nas trilhas que encontramos

Um motociclista avisou que passavam uns caminhões por lá, mas depois de 15min esperando, nenhum havia passado.  Molhei a cabeça no rio, e iniciamos a caminhada novamente, até que alguns minutos depois encontramos um bar, com algumas motocicletas.  Negociamos e os motoqueiros nos levaram para a cidade.  Isso foi realmente muita sorte, pois o rádio não pegava, e o celular perdera sinal após descermos do sítio de pouso.   O passeio de moto foi emocionate, sem capacete e ainda por cima com grande parte do trecho em cascalho.  Ainda bem que conseguimos o transporte, porque a pé iria levar umas 2 horas caminhando. 


Depois da longa caminhada esfriei a cabeça literalmente na deliciosa água fria do rio 



Dia ótimo com muitas aventuras, conheci um pouco mais da Colombia "real".  Cachoeiras, rios e o povo local.  Já o Jeison teve um pouco mais azar, apesar de ter passado pelas montanhas onde fiquei, pousou numa região remota também.  E após dobrar o parapente, viu um rapaz secando folhas de coca.  Depois vieram algumas pessoas chamando ele, não quis conversa acelerou o passo, caminhou quase 2 horas, até chegar na estrada principal.  A noite conversando com os pilotos que voam com frequência em Roldanillo, disseram para nunca ir para "trás" da decolagem, pois as montanhas são dominadas pelo narcotráfico e tampouco na parte alta da cordilheira por onde pousamos (...).  Agora entendi porque com a motoneta passamos por polícia de narcotráfico, além de um quartel do exército. É a batalha sem fim na Colombia, apoiada pelos Norte Americanos. 




Meio de transporte mais perigoso da viagem, e detalhe, sem capacete devia ter colocado o meu...



Quando chegamos na estrada encontramos essa barraquinha da Dunkin-Donuts, inacreditável !!! Claro que não resisti e comprei uma rosquinha deliciosa de geléia, isso no meio do nada... 


Ahhh e uma das conclusões principais desta "caminhada" que preciso treinar bastante para aguentar essas andanças, pois 20kg nas costas em terreno irregular não é tão fácil. Acho que X-Alps jamais... !!!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Treino Oficial Roldanillo`

Campeonato Colombia Open começa na quarta feira !!!

E esta é a rampa as 9:00 da manhã, cheia de nuvens

Na terça feira, o dia do treino oficial, subimos com um micro-onibus, bem mais confortável do que nos dias anteriores, normalmente na caçamba de um pequeno caminhão.   Marcamos uma prova curta, que foi sugerida pela organização.  Demorou um pouco mais para abrir o tempo, mas ao redor das 12 já estávamos voando.  Após a largada tive que usar bastante orelhão para não entrar nas nuvens (entubar).   Voo ao lado da cordilheira foi bem veloz, com direito a um ar um pouco mais turbulento, acelerado sentia mais.  Muita gente caindo no caminho, mas alguns deram a volta e completaram a prova.


Típico Roldanillo !!!

Pouso com muito vento, em vez de pousar no estádio de Roldanillo, pousei junto com o Taru num pasto mais amplo na entrada da cidade, pois o Jeison já havia reportado que estava muito ruim o pouso no campo de futebol.

Após a chegada no dia de treino conseguimos achar uma térmica a 300m que no começo foi difícil, pois o vento do Pacífico soprava forte, mas depois de passar dos 600m do chão, tudo começou a subir rápido, ao lado o Taru com seu Peak 3





terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Maracujá Landing Day

Treino terceiro dia, desta vez Maracujá !!!!

Na Segunda Feira, marcamos um percurso mais curto, e mesmo assim no final não conseguimos completar, voando 70km.  Entrou o vento Oeste do Pacífico mais cedo e bem forte então para continuar no voo teríamos de ter ido para o meio do vale ou mais a leste.   Aos poucos começamos a pegar o jeito de como voar aqui.

Vinicola em formação proximo a La Union, pousei no campo ao lado, ainda sem preparo, com vento forte do Pacífico, sempre prestar muita atenção no pouso, vejam os detalhes, difíceis de serem avistados de cima. 

A carona foi num caminhão com maracujá quem me pegou do lado do arado 


Meu "grande" ajudante que além de dar uma mão para dobrar a vela no vento forte fez questão de levar a mochila pequena, e providenciou a carona no caminhão de maracujá, mandando a tia me esperar, ela buzinava, mas ele controlava a situação de longe !