domingo, 7 de dezembro de 2014

Mendoza Campeonato Argentino de Parapente

 Inicio do campeonato Argentino de Parapente, em Mendoza.   Consegui fazer um voo para reconhecer a área.  Alugamos um carro porque o pessoal das Tortugas Blancas (Land Rovers Defenders) estavam atrasados na sua vinda pela Ruta 40 desde Bariloche.  Quando estávamos para subir a montanha, saiu um sujeito do restaurante dizendo para não subirmos.  Explicou que carros normais não conseguem passar pela estrada, apenas camionetes 4x4.  Então voltamos para o QG do voo livre, onde já estavam alguns pilotos esperando para subir.  

Subida bem complicada para a rampa

Vento ainda muito forte, subimos com um jipe modificado, e os parapentes no teto amarrados.  A estrada é bem sinuosa, e bem complicada.  Curvas fortes, próximas do precipício sem duvida me impressionaram bastante. 

No dia de treino este foi nosso transporte, com o amigo Armando que leva pilotos há 15a a bordo de sua possante nave espacial

Região é um oásis de tão seco que é, fora da cidade é praticamente deserto. Estamos voando na pré cordilheira, os Andes ficam atrás da gente, dá para ver o Tupungato longe e outras montanhas super altas. A decolagem fica a 1600m do nível do mar, pouso a 1000, acima de 2000m dá para ver os Andes que estão uns 50km para o Oeste daqui.


Na rampa esperamos bastante tempo para decolar, até o vento baixar, decolei ao redor das 19:00, e aos poucos fui subindo, andava apenas 12-15km/h contra vento, mas cheguei a 3000m do nível do mar, sem sentir frio.  As 1930 ainda peguei uma térmica de 2,8m/s !!! Para pousar então foi difícil descer, mas finalmente já próximo do por do sol, aterrissei no pouso oficial, em frente ao clube de voo Cerro Arco.

Alegre surpresa de ver uma vela Lotus da empresa brasileiro SOL Paragliders

Já o piloto do Enzo2 custou um pouco para conseguir decolar 


Na primeira prova, como é normal, fui um dos últimos a decolar, e demorei para subir, resultado larguei uns 15/20" minutos após abertura da janela. O vôo não estava turbulento, térmicas de 2 a 2,5m/s. Estava difícil, voei apenas uns 30km. Apenas 6 chegaram no goal da prova de 65km, somos ao redor de 30 competidores, de toda Argentina além de 3 brasileiros e 1 chileno. Mais histórias para contar, mas fica para depois. O Kiko e Paparazzi também voaram bem, apenas ficaram um pouco para trás no primeiro pilão.

Bem próximo a rampa a cidade de Mendoza, com 2 milhões de habitantes, a 3ra maior do país

Meu pouso foi na região das vinícolas Mendocinas, em Luján de Cuyo, pouso ótimo apesar de ter passado perto demais da rede elétrica.  Tive aproximação de vários garotos, que vieram com um papo meio estranho, mas aos poucos fui dobrando a vela sem mostrar o equipamento eletrônico.  Com o dono do terreno que apareceu para ver o que estava acontecendo, consegui que explicasse aos resgateiros onde eu estava.  E um pouco mais tarde chegaram na Ruta 40 para me resgatar.   Na volta ainda pegamos mais ¾ pilotos e com isso conheci bastante a região das vinícolas, pois estava um pouco confuso o resgate.  Missão do dia cumprida, a noite fizemos um bom churrasco na Cabaña Alfombra Magika que estamos nos hospedando.

Visual da rampa para o Norte, clima bem árido

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Cholila - Bariloche

Depois de uma semana passeando entre o Chile e a Argentina, voltei para regatar o ZTO de seu descanso ao lado do lago Cholila.  Apesar da curta distância de El Bolson, apenas 20min de voo, de carro foram mais de 2horas, pela lendária e sinuosa Ruta 40.  Para chegar na pista do Lago Cholila Aero Fishing Lodge por via terrestre, são uns 30km de ripio (Estrada de cascalho) além de atravessar um rio na chegada da propriedade, que apenas camionetes conseguem, lugar ótimo para descansar uns dias a um preço bem acessível.  Na temporada é importante reservar, pois eles tem apenas 5 quartos, claro que quando lotados conseguem acomodar mais pilotos na pousada ao lado, mas com certeza a hospitalidade não é tão boa.

Subindo, próximo a Cholila

Tudo checado taxiei vagarosamente para cabeceira, o vídeo depois mostrará tudo isso, e com o passageiro Marcos Issler a bordo, decolamos rumo as montanhas.  Vento bem fraco, pela primeira vez, o PT-ZTO decolou em 300m, pois a pista é baixa e o motor rende bem, além de eu ter apenas 1h30 de combustível.   Após o tradicional rasante de adeus para este lugar tão bacana, continuei na proa do lago.  De 300m (1200”) para 2700m (8500”) levamos um bom tempo na subida.  No final do lago já avistava as montanhas mais altas, e os vales a direita com seu gelo eterno.  Fiquei na dúvida de qual vale entrar, então fui para o último, mas o vento já estava bem mais forte e a turbulência também.  Mesmo usando todo conhecimento do voo de planador, não tive como evitar o chacoalhar gerado pelo vento batendo nas montanhas e das térmicas, já que estávamos voando ao redor das 14:00 horário, não muito propício para um voo liso.

Osorno ao fundo e o  "mar de morros" entre Argentina e Chile

Visual muito mas muito bonito, e um voo tecnicamente bem interessante.  Apesar da cordilheira ser baixa nesta região com montanhas ao redor de 8500 pés, os fortes ventos vindos do Chile, e os venturis formados pelos vales, mais o aquecimento desigual do sistema vale/montanha/neve, fazem da região um local que deve ser encarado com muito cuidado pelos pilotos dos monomotores.   O RV7 com 180hp tira de letra tudo isso, mas aeronaves com menor relação peso/potencia tem que ser mais cuidadosas.  Claro que toda esta rota é possível de ser voada mais a leste, sobre terreno bem menos hostil, mas aí perde-se a emoção do visual fantástico das montanhas nevadas.

Cerro Plataforma após Cholila 

Avistei a pista de La Esperanza, que eu um dia pretendo pousar, de aproximação difícil pelo alto terreno e talvez não muito bom para o trem de pouso do RV.  Mas não quis descer, pois o voo estava bem turbulento e não quis judiar demais do passageiro a bordo.  Próximo a El Bolson, o vale abre totalmente, e como avistei os amigos voando de parapente, demos algumas voltas para fotografias.  Em seguida continuamos rumo a Bariloche, ao redor de 6500 pés, observando o acidentado terreno com limitadas opções de pouso até mesmo para o voo sem motor de parapente, que um dia pretendo fazer entre El Bolson e a cidade ao lado do lago Nahuel Huapi.

 Pista de La Esperanza, para voltar um dia

Só consegui falar com a TWR Bariloche quando faltava poucos minutos para o pouso, pois voando no meio das montanhas a comunicação rádio é bem limitada.  Controle extremamente sossegado, mandou eu avisar na perna do vento, pois não havia tráfego a reportar.  Vento já estava bem acelerado, e como é costume, vindo do lago Nahuel, bem alinhado com a pista de 30kts, fiz uma aproximação ou seja cheguei bem alto, e mesmo assim ainda tive que taxiar bastante na longa pista do aeroporto internacional de San Carlos de Bariloche.  Estacionei ao lado de um outro pequeno avião sem antes notar um enorme jato executivo brasileiro, creio que um Gulfstream modelo XPTO (ou seja não tenho idéia), além de um moderno Boeing da Aerolineas Argentinas. 


A bordo do PT-ZTO com o passageiro da vez

Vi também o Ximango estacionando dentro de um pequeno hangar, mas que parece que está voando pouco, um ótimo privilégio em ter esta excelente pista, e ser o único hangar (formato T) do aeroporto inteiro.  Não aterrissei na pista do aeroclube porque segundo informações está com o piso um pouco ruim, e além disso na Argentina não pagamos taxa de pouso e AVGAS é 20-30% mais barato nos grandes aeroportos vs. Aeroclubes.   Andamos pelo aeroporto todo, para fazer a papelada, sem sermos incomodados, lugar realmente bem tranquilo.

Na reta final do Internacional de Bariloche

Na sala AIS, pedi informações sobre a pista de Caviahue, mas ela está temporariamente suspensa.  A pista do hotel San Huberto, ao norte de San Martin de Los Andes era outra opção, ligaram lá, e passaram o telefone para eu conversar.   Mas no final resolvi ficar em Bariloche com os amigos das Tortugas Brancas (Land Rovers).

Jato brasileiro no aeroporto de Bariloche 

 Com ganchos na pista para alguns aviões, Bariloche Int'l é uma boa opção

Cholila Lodge - Aeroclube - Lodge

Os chilenos planejavam fazer um voo em cima de várias pistas remotas na região, seguindo o Cessna do Daniel, dono da Cholila Lodge, mas os planos foram frustrados pela piora da meteorologia no dia seguinte.   Então optaram para fazer um voo local, até a pista do aeroclube.  O Fábio Potenza foi comigo no RV7, e os outros foram distribuídos entre o Archer e Cessna 180, foi um voo muito bonito, em cima do lago, com o Pablo batendo fotos incríveis de todos os aviões, com a porta do Cessna entreaberta.  Vale salientar que o Pablo tem extensa documentação fotográfica de altíssima qualidade da região toda, apesar de morar parte do ano na Europa, sempre volta para passar uns meses em Cholila.

Aeroclube de Cholila, com uma pista bem mais tranquila que no Lodge

Voamos em formação (Anac ooopsss), mas com o RV7 bem mais veloz que as outras aeronaves brincamos um pouco também.   Na pista do aeroclube o vento havia acelerado, com um pouco de rotor do morro ao lado, o piso de grama e largura bem mais generosa permite um pouco mais tranquilo que no lodge.   O piloto Chileno, provavelmente com pouca experiência com ventos mais fortes, arremeteu 2 vezes antes de finalmente pousar, deixando o companheiros de viagem, que estavam a bordo, no mínimo um pouco apreensivos.   O vento acelerara um pouco mais, totalmente de través.   Então resolveram fazer 2 turnos de pista apenas com o Daniel como instrutor e o chileno aprendendo a pousar com vento cruzado.  Mas no final resolveram colocar o Cessna para dentro do hangar, que tinha 2 ultraleves e um Mooney da Navegueta, que havia pousado com trem de pouso recolhido, ainda esperando a volta do motor da manutenção e nova hélice.

O Archer chileno preparando pra decolar do Lodge        @Pablo

Após o Cessna ter decolado, taxiei até a outra cabeceira, que não ajudou muito, após a decolagem e ter acelerado bem o avião, pegamos turbulência forte (rotor) gerado pelo vento de través e o morro ao lado, o pessoal que voltou de camionete, falou que parecia que eu estava acenando com as asas, mas a verdade é que estava chacoalhando muito mesmo.  

Com os amigos no aeroclube, aproveitando o sol na frio dia da primavera patagônica

Voo de alguns minutos encaixei direto na final do aeródromo da pousada, e desta vez fiz um pouco do tipo “alemão” primeiro bequilha e depois o trem principal (RV7 tem o trem de pouso convencional), e parei no meio da pista com um pouco manteiga apesar da forte turbulência na final, o vento estava bem alinhado, no “venturi” formado entre as montanhas e o lago Cholila.   Fiquei satisfeito com este pouso, e vi que estou com o RV um pouco mais na mão, depois de um pouso em condições.

No taxi na pista do aeroclube          @Pablo

Pousada Cholila mais que recomendada, porém a pista requer um pouco mais de habilidade dos pilotos que o convencional, mostrado aliás pela sábia decisão dos Chilenos de não retornar com o Archer, que ficou no aeroclube.  

Passando ao lado do Cessna               @Pablo


Amarramos bem o avião para o estacionamento de alguns dias, pois daqui fomos para um  passeio de Land Rover para El Bolson, Bariloche e Chile.  Após um ótimo almoço, com pilotos e passageiros muito felizes de terem desfrutado da linda paisagem Andina, subimos a bordo das “Tartarugas Blancas”, rumo a Esquiel onde mais um piloto de parapente, Samir, estava nos esperando, recém chegado de São Paulo. 

Afinal a pista de pouso tem vários usos, aqui brincando com meu parapente vermelho    @Pablo

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Puerto Madryn - Trelew - Cholila

Chegamos 2 horas atrasados no aeroporto de Puerto Madryn, viajar com 5 pessoas com 2 Land Rovers faz o processo ser um pouco mais lento, mas estamos aproveitando bastante a viagem, então absolutamente No Stress é o lema principal.  Nos finais de semana o aeroporto não tem movimento comercial, então apenas a Polícia do Aeroporto estava lá.  Após preencher 2 Gendecs (General Declarations), passar a bagagem pelo Raio X, com a modorrenta boa vontade da policial, conseguimos uma “carona” com o outro policial que nos levou ao RV7 que estava do lado do hangar do aeroclube, 2km de distância do terminal.

Rodovia Trelew - Esquiel único sinal de movimento por muitos quilometros

Desta vez meu passageiro foi o Kico, experiente voador de parapente de São Pedro, fizemos um curto voo de 15” até Trelew para comprar gasolina.  Em Trelew a burocracia foi um pouco maior, pois em quase todas as salas AIS da Argentina querem abrir a nossa “ficha” registrando os dados pessoais e dá aeronave em fichas.  Por outro lado o pessoal em quase todas salas AIS sempre muito atenciosos.  Uma idéia era passar pousar em El Bolson, mas depois de olhar os Notams descobrimos que o aeroporto estava fechado temporariamente, segundo el Jefe do aeroporto de lá, devido a problemas com segurança.

Início do "enrugamento" do solo

Decolamos rumo a Bariloche, mas após sair da TMA Trelew, mudei de idéia e colocar Cholila na proa.  Primeira hora de voo não vimos um povoado, nada, região muito árida e plana.  Aos poucos o terreno começou a enrugar, e o visual começou a ficar muito interessante.  Como esperado tivemos vento de 60km/h de frente, então a velocidade média caiu de 280 para 220km/h.   Consegui falar com Esquiel só quando estava entrando na TMA , que pediu para eu telefonar após o pouso em Cholila, mesmo com o cancelamento do plano de voo VFR.   Montanhas a 7500 pés antes do destino nos obrigaram a subir a 9.000 pés, devido a turbulência gerada pelo vento Oeste.  Claro que poderia ter dado a volta e ir pelo vale, mas eu queria passar próximo as primeiras montanhas nevadas da viagem.

 
Tempo já piorando bastante próximo a Cholila, no contraforte da Cordilheira dos Andes

O GPS nos levou para cima da pista do aeroclube, e como não tinha planejado ir a Cholila, não tinha plotado a pista do Lodge (Hotel).  Então comecei a procurar, pistas ao lado dos lagos, no terceiro finalmente avistei a estreita pista cuja cabeceira Oeste termina no lago Cholila.   O que me ajudou foi ter assistido aos vídeos da Navegueta, encontro aéreo de aviões pequenos que tem ocorrido anualmente na Argentina com voos na Patagônia.

Procurando a pista da Pousada não era neste lago ... 

Dei uma passada na pista, e confesso que fiquei um pouco apreensivo, pois além de um pouco estreita com árvores nos 2 lados, tinha um aspecto bem áspero.  Sem biruta, mas com vento bem forte vindo do lago fiz a aproximação um pouco mais veloz, resultado toquei a pista muito na frente, e para não para dentro do lago arremeti, para um novo circuito de tráfego.  Na segunda vez melhorei um pouco e pousei bem.

Pista achada, sobrevoo de reconhecimento, notem as árvores do outro lado mais altas, e o pequeno morro, geradores de turbulência

Na reta final, com as árvores balançando (o vídeo do pouso virá daqui uns dias)

O lugar é fantástico, o Cholila Lodge é uma pousada com 5 quartos e uma área de convivência muito aconchegante com ótimo padrão.  Fica a 2:30h de carro de Esquiel, por estrada de asfalto e cascalho (ripio).  Os proprietários são muito atenciosos, e nos sentimos em “casa” imediatamente.   Comprovei “in loco” que a pista de grama é um pouco áspera e necessita atenção na aproximação com ventos um pouco mais fortes.  Apesar de plana, diria que o piso é parecido com a pista de Monte Verde, mas fica a 400m do nível do mar.


O acesso rodoviário para a pista só é possível com camionetes altas, pois tem um rio na entrada da propriedade que os carros normais não conseguem passar.   Após um rápido lanche fomos passear na propriedade e depois ficamos um bom tempo conversando com o “churrasqueiro” do dia, que preparou um cordeiro para o jantar, no fogo de lenha.  A região fica próxima a fronteira com o Chile, e vive do turismo, já existem muitas reservas ecológicas, muitas formadas através de incentivo fiscal, onde as empresas podem repassar um % dos impostos federais para criação e manutenção de reservas.  Aliás, do outro lado da fronteira fica o famoso parque de Pumallin, com 291.000 ha, que foi criado pelo fundador da empresa NorthFace, gerenciado pela fundação Tomkins .

Região famosa de pesca com mosca "Fly Fishing", todos fantasiados e agasalhados

Ao redor das 19:00 depois de rodar 10 hora as 2 Tortugas Blancas (Land Rover Defenders) chegaram a Cholila, completando o grupo.  Tivemos um ótimo jantar e papo com os pilotos Chilenos que vieram com um Piper Archer do aeroclube de Chillan e com os donos da pousada, com o cordeiro e um pouco de vinho ficamos sonhando com os planos dos próximos dias. Ahh inflamos os parapentes na pista de grama para treinar um pouco, mas já era quase 21h, logo depois fomos jantar.

Nosso jantar