quinta-feira, 16 de junho de 2016

Islandia - Terceiro dia de voo

Até um pouco de garoa tivemos na hora do encontro para decidir o que fazer.  Mesmo assim subimos para Burfell, apenas com tração 4x4 é possível subir.  Caminho é inteiro sobre cinzas vulcânicas (porque será... ??? ), e marcaram rapidamente uma provinha de 10km !!!! Com decolagem 15min depois, e eu como sou lento para ficar pronto... Estavam com pressa porque se entrasse a brisa marinha, ninguém mais conseguiria sair pelo excesso de vento.  Um frio total, pus todas as roupas que tinha, e até que consegui segurar bem.  

Preparando os panos de chão voadores 

Situação meio gelada, apesar de estarmos no início do verão local 

Alguns pilotos pegaram pequenas bolhas e chegaram no goal, eu fui para o chão direto, voei em cima da segunda maior usina hidrelétrica do país, mas resolvi voltar para pousar num ótimo gramado, Uns 10 pilotos pousaram no meio de construções, outros no barranco da montanha pequena, mas eu optei por algo um pouco mais tranquilo.  Mas aí fui atacado pelas centenas de moscas que não tinham o que fazer, e apesar de não picarem são um tormento por aqui.

No momento do desespero me cobri com a balaclava de vôo, dobrei o parapente com capacete na cabeça, mas aí ficou meio quente e quando fui ventilar um monte destes voadores irritantes entraram e não deu para ficar com o capacete na cabeça... 


Quem é o gringo aqui ???? Os pontos pretos não são sujeira não, e sim as centenas de moscas 


Segunda maior usina hidrelétrica do país, com bonito mural feito pelo artista Sigurjón Ólafsson.  Energia aqui é tão barata, que a Alcoa instalou grande fábrica de alumínio para justamente aproveitar o baixo custo da eletricidade.

 E vieram as trabalhadoras da usina envernizar as floreiras... e bancos de picnic na frente da usina


 Planejando as viagens no mapa do pequeno/grande país situado junto ao Circulo Polar Ártico

Após a decolagem @dima

O QG onde tudo é decidido, notem o diretor do campeonato de shorts.... 

Da Nova Zelandia, Austrália a Israel, Groelândia, Alemanha e assim por diante é uma mistura de linguas e pessoas do mundo todo apesar de ser um evento pequeno, todos muito curiosos com a rica e diversa natureza local.

Para mostrar que é verdade... a task do dia @dima

Islandia Segundo dia de vôo - B

E após o nosso super vôo de alguns minutos começamos a volta para Àrnes, no caminho fomos parando em algumas cachoeiras e outros locais muito bonitos.  Muitos turistas no caminho, gente acampando, andando a pé (mochilando), de bicicleta, enfim mesmo neste clima inóspito o pessoal vem visitar.  Também os enormes motorhomes e trailers na estrada, ou  seja tem tudo mesmo.  Albergues e hotéis espalhados pela ilha toda. 

Vista da região que voamos, e atrás onde começa a neve o início da manta de gelo que cobre a parte central do País , poucos quilômetros a NW deste local o famoso vulcão Eyjafjallajökull que entrou em erupção em 2010, atrapalhando a vida de muita gente na Europa por causa das cinzas.

Jo com frio...

O sol faz toda a diferença !

Tivemos vontade de voar nesta linha de montanhas, mas o vento estava atravessado, não deu... 



Mas nosso amigo aqui mostrou como se voa de verdade !!!! 

Esta cachoeira, apesar de pequena é linda, fui lá dentro, mas as imagens não ficaram boas

Islandia Segundo dia de voo

E aqui consegui perceber bem o que significa sol da meia noite, por estarmos no lado do Sul da ilha, o sol realmente se põe por 3 horas, mas fica bem claro.  Como dá para ver da cozinha do albergue que estou aqui em Àrnes, que preferi em vez de acampar em barraca com frio de 5 graus e zilhões de moscas. 

23:30 praticamente o por do sol 

00:30 da manhã, estava na hora de ir dormir 

O tempo não estava muito bom, mas nos puseram na estrada, para rodar uns 80km para o lado SE da ilha, a paisagem no caminho foi muito bonita.



Vulcão Hekla, o mais próximo de nós o mais ativo de todos, desta vez nas nuvens 


Burfel, a montanha da decolagem principal do campeonato, mas que infelizmente estava com vento ruim, mas serviu de pano de fundo para essas coloridas flores "Lupens" 

E aqui começou a brincadeira do dia, depois de 2h horas sacolejando nas boas estradas Islandesas, chegamos em Skogafoss, cheia de turistas passeando.  E lá fomos nós subir com os paragliders no lombo na escadaria a direita.  Que sorte que tive de trazer o equipamento mais leve de apenas 12kg, pois se estivesse com o outro de 23kg não conseguiria...

Skogafoss bonita cachoeira e escadaria a ser vencida 

Montaram uma "prova" de 10km, que ninguém completou, decolamos e voamos na encosta, mas com o vento fraco, no primeiro gap todos foram para o chão, mas pelo menos nos divertimos bastante que foi o mais importante.  Na caminhada de volta conversei bastante com o piloto de um Enzo2, que mora na Groelândia, que fica aqui do lado, apenas 3h de vôo.


Tapete de grama, num dos poucos locais verdes da região 

Aerodromo ao lado da cachoeira de Skogafoss, pistas assim estão espalhadas pela ilha, feitas em cima das cinzas vulcânicas, sem muita complicação.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Islandia - Hike & Hike Day

Dia 2 Islândia – Hike & Hike day

O tempo melhorou bem, com aumento da temperatura para quase 14 graus, provavelmente um dos dias mais quentes do ano.  Fomos novamente a Selfoss, grande metrópole de 6000 habitantes, onde além de mais comida comprei uma touca e um casaco contra vento/chuva, pois no dia anterior havia feito muito frio, e as roupas que trouxe precisavam de um reforço extra.   


 No supermercado em vez de apenas os produtos ficarem em geladeiras, os clientes ENTRAM na parte frigorificada, só aqui mesmo onde todos estão acostumados com o frio total

Impressionante foi a vista da estrada do Vulcão Hekla, distante ao redor de 70km de onde estamos.  É um dos vulcões mais ativos da Islândia, mas apesar disso muita gente vai caminhar nele, esquiar e assim por diante.  Já fui avisado que não iremos voar próximo dele pela total falta de acesso de automóvel para o resgate após o pouso. 

Famoso vulcão Hekla, um dos mais ativos do mundo, meio próximo...

O vento estava de NE pouco usual, e achamos um local para voar próximo a Selfoss, então em 2 carros fomos até lá ver a possibilidade de um voozinho.  Num carro os representantes do hemisfério sul, e no outro 3 Israelenses.  Iniciamos a subida a pé, eu super preocupado com a caminhada, mas até que devagarzinho consegui subir a montanha, meu calçado leve totalmente inapropriado para este tipo de solo foi o que mais atrapalhou.  Mistura de musgo e pedras tornou o caminho um pouco difícil para mim, mas aos poucos venci os 180m de desnível até a parte alta decolável.  Depois de pensar bastante resolvi descer a pé, para um local menos íngreme, pois qualquer erro na decolagem faria um dano grande em mim, pois o chão tinha muitas pedras soltas. 

O "morrinho" que subimos a pé

Muitas gaivotas sobrevoando nossas cabeças, acho que estávamos incomodando um pouco, e eu não tirei o chapéu da cabeça com receio de receber uma “bomba” na cabeça, que não veio.  Outros 4 parapentes decolaram, mas eu não estava seguro, então desci mesmo.   

Phil voando com a paisagem magnífica, no fundo o Mar do Norte

Quando cheguei num ponto mais baixo, preparei a vela, porém quando estava pronto para decolar, entrou a forte brisa marítima, tive bastante sorte pois entrou ANTES de eu decolar, muito forte, tive até um pouco de dificuldades para dobrar o parapente.  E lá fui eu descendo a pé novamente, desta vez do outro lado do morro, numa trilha bem mais fácil do que nossa subida “a galega” por qualquer caminho.  Foi bacana avistar algumas pessoas caminhando até aquele ponto com roupas de esporte. 

Tudo pronto, SQN !!! A "bufa do cão" estava sobrando muito forte, brisa marítima quase polar...

Apesar de não ter voado, o Hike & Hike foi muito bom para mim, mostrando que tenho que melhor bastante ainda meu preparo físico e por outro lado também sinalizando que já consigo caminhar bem mais do que pensava. 

Cavalos Islandeses

Islandia Chegada

ISLANDIA

 Passando por ilhas no Atlântico Norte (Faroe ?)

Luzes Leds na cabine do avião, aurora boreal no Boeing 757 ? Achei um ar futurista. 

Foi um longo dia até chegar na capital da Islândia, primeiro o vôo de Barcelona para Munique e depois via Icelandair para Reykjavik.  No aeroporto uma fila danada, tinha um grupo de 95 aposentados voltando do sul do Itália, todos com malas enormes, uma vez que pela distância tudo é mais barato na Europa continental vs. a pequena ilha isolado no Mar do Norte. 

Ondas já em cima da Islândia ?

O próprio vôo foi bem interessante, consegui avistar algumas ilhas perdidas no meio do oceano, vi um filme Islandês “Albatross” com uma dinâmica bem diferente do que estamos acostumados, sistema de mídia digital do avião é muito bom, recomendo a empresa.  Consegui ver do avião o famoso e impronunciável vulcão Eyjafjallajökull que atrapalhou todo espaço aéreo da Europa em 2010, com muita neve no lado SE da ilha.  O movimento do aeroporto internacional foi surpreendente, depois me foi dito que o país recebeu ano passado 1.5milhões de turistas, muito em relação a população de 330.000 habitantes.

Passando por cima do famoso vulcão

Hub da Iceland Air

Com chip local para o celular comprado, embarquei no Suzuki Vitara que os amigos Australianos/NZ haviam alugado.  E claro, senti o vento frio de 11 graus que soprava fora do saguão.  Nos distanciamos rapidamente da capital na direção leste.  E logicamente a paisagem sem árvores, com pedras e musgo por todo lado, sem árvores ou pastos. Parecia uma vegetação lunar mesmo.   

Por alguns instantes paramos na divisa das placas tectônicas da Europa e América do Norte com uma ponte para pedestres construída para mostrar os dois lados.  Avistamos também diversas usinas de produção de eletricidade baseada nas fontes termais subterrâneas, energia geotérmica, muito bacana.  O tempo foi fechando, bem nublado mesmo, e os 2 pilotos ainda pensavam em voar, e eu pensando no frio intenso que fazia, pois a forte brisa marítima já havia entrado e a sensação térmica era próxima de zero graus. 




Almoçamos/jantamos um bom peixe no meio do caminho, e em seguida uma rápida passada na cidade de Selfoss para comprar um pouco de mantimentos, é a  maior cidade do lado sul da ilha, com 6.000 habitantes, com um padrão de fazer inveja.  E finalmente chegamos em Àrnes, uns 30”a frente, onde será o QG do campeonato Islandês de Parapente.  Pouca expectativa da meteorologia, o que vale mesmo é a paisagem totalmente diferente do comum, afinal estamos a apenas 2 graus sul do Círculo Polar Ártico.  

Guarda alguma semelhança com Chos Malal, na Argentina, porém lá o musgo não é tão presente, sendo muito mais seco, com mais pedras espalhadas por todo lado, e sem dúvida uma latitude muito mais distante do círculo polar. 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Àger - Fotos

A caminho de Ager 


Pousando em Barcelona 

Achei essa clareira no meio do trigo para dobrar a vela 

 Àger

Vista da rampa de Organya 

Feliz após o voo de cross 


Forte restituição

Àger - Espanha

E de volta ao velho continente, após cumprir vários compromissos de família, estava na hora de recomeçar a voar novamente.  Desta vez com muitas modificações, uma selete leve de viagem, Lightness2 do fabricante Suiço Advance, que já estava guardada na Alemanha, desde o ano passado. Tive de pegar um vela de tamanho menor já que todo o conjunto desceu de 23 para 13kg, então resolvi pegar uma vela Ikuma (EnB) da Niviuk para ter mais tranquilidade nos vôos na Áustria. 

Martin a bordo da possante vela GTO2 X-Alps esperando o vento amainar um pouco

Mas eis que assim que cheguei na Alemanha recebi a notícia que o grupo ao qual eu iria me juntar havia cancelado a viagem para lá devido a terrível meteorologia prognosticada para os Alpes.  E não deu outra, no mês de maio/junho intensas chuvas fustigaram toda a região com inundações inclusive nas partes mais planas da Alemanha.  Conversando com o Martin, vimos que na Espanha o tempo estava segurando melhor, então após algumas conversas, resolvi ir para lá passar os 5 dias de janela antes de ir para o Norte.   Passagem comprada pelo Eurowings, Stuttgart-Barcelona-Munique, a preço bem competitivo. Detalhe foi que tive que pagar em cada perna 50.- Euros a mais para despachar o parapente, considerado como equipamento de esporte.  

Eu me preparando para decolar

A alegria de chegar em Barcelona foi grande, um aeroporto gigantesco, muito maior que minha expectativa, e após alguns minutos já estava com a chave do meu carrinho Seat – Ibiza (marca da VW popular na Espanha).  O guia Xirli já estava me esperando no aeroporto, e fui seguindo ele para Àger, umas 2h de carro desde Barcelona.  Ótima estrada com asfalto bem cuidado conseguimos ir rapidamente até o destino.   Instalado numa pequena pousada em frente a escola Entrenuvols, estava pronto para iniciar os voos. 


E como foram os vôos ?  Bem, no primeiro dia fiz 2 voos curtos, fugindo das térmicas, estava ainda me acostumando com nova selete e a nova vela, no início estranhando bastante o novo conjunto , somado com alguns detalhes do passado que ainda me deixavam desconfortável.  O Martin chegou da Suiça e subiu para fazer o segundo voo.   Bastante vento em Àger nas decolagens, o que ajudou bastante na montanha, mas depois tive um pouco de dificuldades para enfrentar o vento, e não consegui chegar no pouso oficial da cidade, ficando numa plantação de trigo bem alta.   Apareceu o piloto Rodrigo do RS e sua namorada, que estavam passeando na região, e decolaram com um duplo, nos veremos em brevet em Jaraguá (GO). 

Cordilheira de Àger

Fui tirar uma siesta, e no final da tarde ao redor das 18:00 subimos novamente para fazer um lift de final de tarde, bem confortável.   Vale salientar o excelente menu do Xalets, comemos muito bem a preços bem razoáveis.

Bonito caminho para Organya


Já no segundo dia de vôo, ainda estava meio desconfortável, continuei num voo local.  A tarde resolvemos ir de carro até Organya, que é o paraíso dos acrobatas, e realmente, decolamos quase as 8 da noite, e tudo subia, ou seja restituição total naquele vale.  Deveria ter feito espirais e orelhas, mas fiz um voo mais tranquilo mesmo. 

Pousando em Organya quase de noite

No último dia de voo, no sábado, vários pilotos de Barcelona vieram passar o final de semana, e apesar de estar super nublado, subimos para a decolagem.  E aos poucos começou a abrir, acabou sendo o voo mais gostoso de todos, com nuvens altas diminuindo a força das térmicas, voei toda a cordilheira de Àger, e após hesitar bastante atravessei para o outro lado voando em cima de região sem pouso, porém apoiado na cordilheira.  Voo relativamente fácil, com o vento SW escorando bem nas montanhas e alguns térmicas pipocando também.  Tentei voltar para Áger, mas não conseguia vencer o contra vento, nessa hora já estava meio de W o vento.  Então o negócio foi continuar com vento lateral até onde desse.  Aproveitei pelo menos neste dia o resgateiro que havíamos contratado que é também um piloto de Sigma9 bem assíduo na região.  Não foi um voo de alta performance mas ajudou eu ficar mais confiante no equipamento que estou voando, em especial a selete que transmite bastante as turbulências para o corpo. 

Gostei muito de Àger, fica próximo a Barcelona, vale a pena para os pilotos brasileiros, a língua na região é o catalão mas todos falam espanhol também, algo fácil para nós no famoso Portunhol brasileiro.  Mas é importante arrumar algum esquema de resgate caso queira voar cross, pois ninguém dá carona, além do baixo movimento nas excelentes estradas.  Por outro lado, qualquer carro pequeno sobe a rampa pelo caminho 100% asfaltado, uma delícia.  Tanto térmicas no meio do dia como lift garantido no final da tarde fazem deste lugar um ótimo destino.