segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Lago Nahuel Huapi e Oxigenio


Peso dos planadores Classe Livre (>25m)

No ultimo campeonato de classe aberta na França, em Vinon, nenhum planador biplace conseguiu passar pela balança, a comissão do campeonato aceitou aumentar o peso máximo de decolagem de todos os planadores.  Com todos os tubos de oxigênio, equipamento de sobrevivência, gasolina adicional, é impossível decolar dentro do limite do fabricante. 


Em cima de Vila Angostura, e o lago Nahuel Huapi

O papo com o Instrutor que esta voando em Bariloche (Bruce Cooper), contratado pelo Jean Marie, foi muito interessante, relatou os vôos de onda em cima do Mar do Norte, que são ainda melhores do que em cima do solo, pois existe maior estabilidade, fazem vôos regulares a mais de 100km da costa !!!   Inclusive comentou que para cada hora de voo no Nimbus aqui na Argentina fazem mais 1h de manutenção, pois constantemente algum detalhe tem que ser arrumado.   Aliás o Jean Marie envia o motor anualmente para a fábrica para que seja feita manutenção geral, logicamente o planador dele voa muito mais que os nossos, mas mostra prudência que é necessária para os vôos nesta região remota.


Cerro Tronador no fundo

Veio nos visitar o Heini Schaffner Suiço, médico, que é um dos grandes especialistas na comunidade volovelista sobre Oxigênio.  Após o meu intensivo bombardeio de perguntas, alguns conceitos bem claros ficaram para uso futuro.  Sempre guardar o cilindro de O2 com pelo menos um pouco de gás, para evitar corrosão interna por umidade.


Proximo a fronteira com o Chile, ao fundo a Cordilheira acaba (lado Chileno)

Comentou que as pesquisas que levaram ao padrão FAA, seguido pelo mundo todo foram feitas no pós guerra usando militares jovens e saudáveis, não totalmente aplicável a maioria dos pilotos hoje em dia.  Devemos sim usar cânula em altitudes acima de 2000-2500m isso aumenta o bem estar do piloto, reduz sonolência enfim apenas benefício ao piloto.  Defende fortemente o sistema EDS (Mountain High) que é o escolhido pela maiorias dos pilotos,  Ter um sistema de emergência totalmente independente dos cilindros instalados é muito importante para os vôos acima de 6000m, pois o tempo de consciência é muito pequeno.  Comprei um sistema portátil que fornece 10minutos de O2, um sistema muito pequeno que pode ser colocado por dentro da roupa de vôo, mais uma precaução para o vôo em grandes altitudes.  Já o piloto Frances usa a cânula do EDS dentro da mascara tipo A14 militar acima de 7000m para conseguir a saturação de O2 (acima de 90) , pois este tipo de máscara fornece uma boa selagem no rosto e por conseqüência um pouco de pressão.  Tem que ser feita algumas adaptações na máscara, por o EDS acima de 7000m pode não fornecer a saturação mínima adequada de O2 de 90%.  Especialmente em momentos como comer, falar no rádio ou alguma manobra mais importante com o planador. 


Ao lado do Cerro Tronador, simbolo de Bariloche

Impressão geral minha que Bariloche é uma boa alternativa para explorar a cordilheira.  A pista de grama/cascalho certamente não é tão boa como o asfalto, mas creio que seja  bem compensado pelo abrigo que temos para guardar o planador  a salvo das ventanias comuns da região.  Existe é verdade um forte efeito do lago Nahuel Huapi, que fica a poucas centenas de metros do aeroclube, mas existem montanhas próximas que facilitam a primeira térmica ou mesmo para pegar onda direto.  Num jantar com o pessoal do Aeroclube local,vi um interesse em aprender muito sobre vôo de onda, e acredito que com um bom esforço local, Bariloche será no futuro uma boa alternativa para o vôo em onda para os Argentinos,   Vale salientar que fomos muito bem recebidos pelo pessoal do AC de Planadores, já não posso dizer o mesmo do AC de Avião, mas sem maiores problemas também.  Praticamente paralelo as estadias de Ohlmann e sua turma em San  Martin, o Jean Marie tem vido todos os anos para o campo de Nahuel.   Uma grande vantagem de Bariloche são os vários vôos diários a Buenos Aires e conexão ao Brasil,bem diferente de Chos Malal onde temos que passar por Neuquen, e depois ônibus.  Mesmo San Martin  tem apenas 2 voos semanais a Capital Argentina durante esta época do ano


Lago formado por água de degelo, cor totalmente diferente

Foi engraçado ver o Ximango estacionado no aeroporto internacional, debaixo de uma cobertura de metal semi aberta, quase como uma ave estranha no meio  dos jatos comerciais, Na Argentina aeronaves com menos de 1000kg não pagam taxa de pouso, o que é uma grande vantagem  para os pilotos locais, pois não inviabiliza o vôo nestes aeroportos maiores.  Mas via de regra as maiores cidades do país (acima de 200.000 hab) tem 2 aeroportos, o comercial de um lado da cidade e o aeroclube do outro.  Assim vi em San Juan, Salta, Bariloche, Santa Rosa, Mendoza e Córdoba durante os périplos locais.


Vulcão Vila Rica, lado Chileno

Um comentário:

Luisroberto Formiga disse...

Incrível post. adorei