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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Baixo Guandu P3

Marcaram a subida para rampa mais cedo, 08:30, todos pensando que seria marcada uma prova de 100km, conforme os rumores diziam.  Mas ainda bem que foram mais conservadores e a prova do dia foi de 75km, que parecia totalmente possível.  Mas o dia estava bem diferente, umidade um pouco mais baixa significou céu azul o dia todo, sem o auxílio das nuvens mostrando as térmicas.  Além disso elas estavam mais distantes uma das outras, um dia mais técnico sem dúvida.  Já antes da largada vi um paraquedas reserva do tipo dirigível, não sei quem foi o piloto.  Parece que tivemos 3 reservas lançados no dia, com pilotos de várias nacionalidades. 

Antes da largada o céu estava bonito !

Decolei meio tarde, faltava 25 minutos para a largada, e foi uma correria para me posicionar, no último momento ainda consegui subir, e larguei médio, amanhã tentarei ser um dos primeiros a decolar, melhor esperar em voo mesmo que no chão, com o risco de vento atravessado, etc et all.    

Após a largada, e eu já ficando na retaguarda

Já na primeira esticada fomos para a ponta de umas montanhas, e tivemos que entrar um pouco num vale bem inclinado com cafezais e pouca opção de pouso, mas pelo vento e sol tinha que “brotar” térmicas, e foi isso mesmo que aconteceu.  Alguns pilotos que deram a volta pela esquerda acabaram atrasando um pouco, pois apesar de parecer mais seguro, não conseguiram aproveitar as melhores térmicas do dia (pelo menos para mim).  Atravessar o vale para o próximo ponto tive que prestar muita atenção no relevo, já que nuvens não haviam, e os pelotões da frente já estavam distantes e com isso os melhores pilotos, com certeza. 

Essa térmica foi ótima, mas o terreno embaixo um "pouco" ondulado

E agora rumo ao primeiro pilão depois de subir nessa região mais alta

No contravento tudo ficou complicado, pois além do vento o sol foi filtrado pelas nuvens altas, cirrus, que rapidamente enfraqueceram a potência das térmicas.   Apostei muito nas pedras grandes mas não subia muito, e com o vento de frente, o progresso foi muito lento.  Já próximo ao ponto vi muita gente pousando, fiquei baixo, fui com vento de cauda, na contramão, para tentar achar alguma térmica que me levasse para cima novamente.  Surfei em cima das pedras por um tempo, até que finalmente consegui subir a 1200m, mas no contravento fui quase para o chão novamente.  Fiquei nesta história durante muito tempo, mas não conseguia ir para o ponto de virada, mas tive a oportunidade de apreciar de perto os “pedrucos” deste vale que parece tirado de um filme dos Flinstones (Hanna Barbera) tamanha a beleza do lugar. 

As famosas pedras...

 Não parece o vale dos Flinstones ? Visual incrível mas sempre baixo...

Acabei pousando junto com ½ dúzia de pilotos ao lado da rodovia, sim hoje não teve caminhada de 1 hora, o que já foi ótimo !!!!!!  Venceu a prova o piloto Urs SCHOENAUER com 25.9km/h , o primeiro Brasileiro foi o Luis Tavares em 10 colocado.  Saladini e Frank pousaram no meio da prova, escorregando para 10 lugar, mas ainda teremos várias provas e descartes, avanti Brasil !!!

Trem de pouso baixado e travado !

Filmado pelo amigo Gustavo Crispy Blanco da Argentina um dos 3 reservas do dia, Boomerang 10, Enzo2 e este do Icepeak, a partir dos 15 segundos impagável a narração que mais parece de um jogo de futebol, o piloto pousou bem !


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Mendoza Parapente Dias 2 e 3

No segundo dia de prova, as condições de tempo não estavam favoráveis, então fomos visitar uma vinícola na mesma região onde eu havia pousado.  Após a breve visita, pois chegamos muito atrasados, passamos a degustação do ótimo vinho, de 3 qualidades diferentes.  Claro que todos ficaram no mínimo meio altos, mas o Malbec realmente desceu muito bem, até mais do que o Reserva especial que pareceu muito encorpado para mim.

Caixa d'água da Vínicola Clos de Chacras

Tanques de fermentação

No terceiro dia do campeonato, após muitas discussões resolveram inverter o sentido da prova, por causa do vento que em vez de soprar do Norte, insistia em vir do sul.  Nos mandaram para a parte mais árida da região.  Um pouco de turbulência na primeira térmica próximo a decolagem, mas depois as condições de voo foram normais, com térmicas entre 2 a 3.5 m/s, e base a 2200m (1200agl) em mais um dia azul.   Pensei que aqui teríamos condições muito fortes devido a baixa umidade do ar e granes contrastes de temperatura, mas está bem menos forte do que o esperado.

E o vinho amadurecendo nos toneis de madeira na vinícola Clos de Chacras

Novamente não consegui sair com o primeiro pelotão, pois na abertura do início da prova (start) não estava ainda na altura boa para sair.  Mas aos poucos consegui ir chegando nas velas da frente e a batalha aérea foi bem interessante.  Voei grande parte do tempo com o Gin Carrera amarelo do Fabio Potenza, mas ele resolveu voar no “andar de baixo”ou seja baixo o tempo todo, e eu mais próximo da base.  Não foi um dia fácil, pois as transições entre uma térmica e outro além de não serem marcados pelas nuvens inexistentes, também eram pouco marcadas pelo terreno do semi árido Mendocino.   Uma fábrica e cimento no meio do nada disparou ótima térmica, depois alguns morros rochosos também, além das térmicas disparadas no meio do nada, ou seja estava difícil achar o gatilho das térmicas.  Acho que tudo isso facilitou chegar mais perto dos parapentes com mais performance que estavam a minha frente.  

Voadores na degustação

Apesar do ótimo voo, próximo na chegada, com forte vento de frente, tomei uma decisão errada, que fez eu voar nas montanhas próximas a decolagem com vento meio forte, fiquei a 200-300m do chão e fui subindo apoiado nas formações rochosas, tentando voar a mistura de bolhas de ar quente e o vento que ajudava a manter a sustentação.  Um Icepeak6 pouso um pouco atrás de mim, e um Delta2 azul conseguiu subir e atravessar para o outro lado da montanha e chegar no goal.  Eu insisti muito, consegui subir a 500m da planície quase que escalanda as pedras.  Mas não consegui “agarrar” uma boa térmica e nem mesmo trabalhar tão bem o relevo como Delta2.  Com isso  fui “caminhando” voando para o fundo do vale em forma de concha pulando de um para outro morro rochoso.   Abaixo estava apoiado num pequeno caminho pedregulhoso que era o acesso a um pequeno sitio, provavelmente aproveitado do leito seco de um pequeno rio, pois além de sinuoso tinha muitas pedras.

Pilotos observando o vento 

O Fábio Potenza tomou a correta decisão de ir contra o vento, e quase pousou a oeste das montanhas, mas conseguiu subir e chegou ao GOAL !!!!!!! Correta decisão, e bem menos arriscada que a minha que me levou a conhecer a flora Mendocina.  Já o Kiko, pouso mais ao lado da Estrada, facilitando um pouco o resgate.

Meu pouso foi excelente, e de pé, pois tinha medo das pedras aí o trem de pouso principal funcionou bem.  Nunca pousei num local de tão difícil acesso, e se tivesse pousado no meio dos arbustos minha selete (cadeira de voo) teria ficado parecida com um porco espinho, tal a agressividade das plantas plenamente adaptadas ao árido clima da região.  No inverno faz muito frio, e no verão uma altíssima insolação  calor que pode chegar a mais de 40 graus, junto com 250mm de chuvas por ano e um solo pobre de material orgânico exigem uma forte adaptação das plantas. 

Logo após o pouso ...

Levei um bom tempo para desenroscar as linhas do parapente, já que todas as plantas tem espinhos das pequenas Acácias (arbustos)  até as plantas rasteiras, então nem tirei a luva, para dobrar o parapente. Apesar de ter o Delorme, comunicador via satélite que envia mensagens de posição para celulares e internet, não foi de grande utilidade, pois o pessoal do resgate não dava muito bola. Tudo é feito aqui via rádio, numa confusão danada, que de alguma forma no final dá certo.  Consegui contato telefônico e depois de rádio também com o resgate. 

Depois de mais de 1 hora a vela arrumada para ser dobrada

  Fui o último a ser resgatado, já que estava muito próximo do pouso, ao mesmo tempo num lugar bem remoto.  Andei os 2/3 km até a ruta 13, nada mais que uma estrada vicinal de cascalho, onde a Land Rover Defender do campeonato já me aguardava.  A caminhada até que foi tranquila pois já passava das 19:00 , e a temperatura já começara a cair um pouco.  Esse foi seguramente o pouso em região mais inóspita que já fiz na vida, me fez conhecer mais de perto a vegetação bem diferente deste semiárido.

Voei um bom tempo nesses morrotes, mas outros eram mais acidentados

Ahhh também nos falaram do tal do vento Zonda (pronuncia Sonda), que aumenta a temperatura bruscamente durante o dia, é bem caótico e forte como o vento Föehn dos Alpes Europeus.  Inicia como vento frio e úmido no lado Chileno, mas deste lado dos Andes, ele é quente, seco e turbulento.   Conseguem acertar a bem a previsão, mas não é algo que queira lidar a bordo de um “pano de chão” voador.

E este foi meu caminho de volta para civilização

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Dias turbulentos no SW de MG

Outubro de 2014

Condição muito turbulenta no SW de Minas Gerais.  Voamos 1 dia em Santa Rita do Sapucaí, e mais 3 em Cambuquira (MG).  Devido a grande estiagem, este ano um dos mais secos dos ultimos anos, a condição de voo está incrível, com base ao redor de 3500m do nível do mar boas térmicas com 4m/s sendo bem normal.  Entretanto, o ar neste final de semana de 12/10/2014 estava bem turbulento.  Diria que tirando um pouco do prazer do voo, já que tivemos de estar bastante atentos aos avanços da vela, corrigindo imediatamente. 

Decolando em Cambuquira ainda com as pernas de fora da carenagem

O voo mais turbulento foi no voo de sexta feira, que foi o mais bonito.  Junto com Jeison e Danilo (Mexicano) colocamos como objetivo voar até Itatiaia, e com isso sobrevoar a região de Agulhas Negras e o parque Nacional de Itatiaia, paisagem deslumbrante.  Decolamos um pouco atrasados, e o vento no início variou muito.  Fiquei várias vezes muito baixo, tipo 200m em Lambari... Mas sempre subia bem, observando o relevo e de onde vinha o vento.  


No final fomos até Itamonte, última cidade em MG antes da descida do Vale do Paraíba, mas infelizmente chegamos muito tarde e não conseguimos mais cruzar para o Vale. Ficaram as imagens da linda paisagem da região.  E quem sabe no futuro consiga realizar este complicado voo de parapente, cruzando por Passa Quatro, que parece ser um pouco mais fácil do que Itamonte. 

Campeonato Desafio Sudeste com 120 pilotos participando teve fortes emoções devido a meteorologia forte.  Pico do Pirapau de parabéns com a bem conservada rampa.  Vários reservas foram jogados, de pilotos que não conseguiram controlar suas velas na turbulência. E amigos relatando fechadas fortes, fronts, etc... Eu não tive problemas, mas parte disso foi pela escolha de ter ido voar com a vela Chilli3 mais mansa que o Gin Carrera, decisão tomada para preservar meu ombro esquerdo que ainda se recupera de problemas.  Apenas acho que poderíamos ter voado provas mais interessantes e aproveitado um pouco mais da incrível meteorologia que estava a nossa disposição. Espero voltar em breve para esse lindo local. 

Os paulistas venceram os outros 3 estados do Sudeste, e com os amigos ficamos em 2,3 e 4 (eu) na categoria SPORT.

Com os amigos Jeison e Wesley no Podium ! 

As decolagens não foram as mais fáceis para os 2 linhas principalmente

sábado, 19 de julho de 2014

Chelan Prova #6

Na penúltima prova tudo aconteceu, tudo aconteceu mais lentamente, estávamos destruídos do dia anterior.  Fui dormir as 2 da manhã, estava realmente cansado.  Subimos um pouco mais tarde para a rampa, com a condição de tempo um pouco estranha.  Estava bem encoberto de nuvens altas, secretamente vários pilotos torcendo para não haver prova, pois estavam muito cansados. 

Fizeram uma “simples” prova de ida e volta de 92km, pois vários resgateiros não apareceram de tão cansados que estavam, além do coordenador ter pedido demissão, o stress foi muito grande para ele no dia anterior, dos 200km.  Vale salientar que quase todos trabalham de forma voluntária na organização do campeonato, pelo menos esse foi meu entendimento. 

A largada durante a maioria das provas do campeonato era um pouco difícil, pois tínhamos que atravessar o rio Columbia, num ar totalmente morto, para do outro lado “nos flats” na planície, engatar na primeira térmica, muitas vezes ficando muito baixo antes de subir, tradicionalmente todos iam para as torres de alta tensão, com 5/6 torres correndo em paralelo muitas vezes funcionava, mas outras não.  Neste dia fiquei um pouco baixo, o que atrasou minha chegada para largada.  Resultado foi que na abertura da largada, eu estava uns 1000m mais baixo do que a maioria dos parapentes.  Resolvi ir junto com o pessoal, esperando pegar uma térmica mais forte que me tirasse do chão.

Essa estúpida estratégia matou meu voo, pois voei durante 2h relativamente baixo, entre, sendo que a base subira para 3600m acima do nível do mar, e eu voando entre 1500 e 2500m, não conseguia vencer a inversão seguinte com uma térmica boa.  Meu voo foi bem mais lento que os voadores que fizeram o voo entre 3000 e 4000m (a base subiu mais ainda depois), fui ficando para trás.  Depois de muito tempo, cansado de andar devagar, e mais cansado ainda do dia anterior, resolvi “estacionar” e ir até a base, então finalmente próximo ao ponto de virada (km46) fui a 4000m acima do nível do mar, brrrrr um frio danado mas eu estava bem agasalhado então não foi um problema. 

Pousado ao lado da sede da fazenda, sem ninguém e uma placa dizendo "Propriedade privada..."


Mas como meu voo estava lento, o dia foi acabando, e pousei a 10km do goal, não tinha mais nada... Interessante que escolhi aterrissar ao lado da sede uma fazenda, uns 500m do asfalto, não tinha uma alma perdida ! Dobrei o parapente e caminhei para a estrada principal, e alguns minutos depois já estava resgatado. Já na média da classe SPORT, apenas 4 pilotos chegaram no goal, mas eu fiquei um pouco mais para trás , 18 porque pousei um pouco antes de todos.   Vale salientar que vários pilotos nem voaram neste dia, pois estava totalmente exaustos do dia anterior

Outro piloto pousando próximo ... 

E mais um, bem próximo, mas do lado do asfalto :)

sábado, 3 de maio de 2014

Valadares 2014 Campeonato Brasileiro de Parapente

Prova#5

Definitivamente não foi meu dia, pior colocação do campeonato... pousei logo após o rio Doce.  Largada razoável, mas fiquei indeciso para qual lado ir, e no final fui para baixo mesmo.  Tinha grupo a esquerda e a direita, e fui pelo meio... Ou seja não ficar indeciso é muito importante.  Pousei numa planície junto com 5 outros pilotos, a maioria do RJ mesmo.  Saimos caminhando por um bom tempo, deu para queimar o café da manhã, e a van acabou nos encontrando no meio do caminho.  

Aliás vale salientar o excelente sistema de resgate do campeonato, a cargo do Dioclécio Rosendo, que conhece cada detalhe da região, a ponto de dizer “vá buscar a chave da porteira com o vaqueiro da casa laranja”.  Jantar na churrascaria Espettus, cortesia ABVL, boa confraternização.  Os outros pilotos da turma “Invasores do Espaço Aéreo” conseguiram fazer distâncias maiores.  Destaque para o Shumacher que subiu bastante na colocação da classe Sport, para 4 lugar.  Também aprendi bastante sobre medição de vela junto ao Martin, que mediu a vela do Paparazzi (Fabio Potenza), Delta1 que tinha várias linhas com comprimento de linha errados.

Medindo comprimento das linhas

Prova #6

Penultimo dia de prova desta etapa do Campeonato Brasileiro de Parapente, a previsão foi muito otimista, o resultado foi um dia de térmica seca, com base descendo cada vez mais, difícil passar dos 1300m do nível do mar.  Decolagem bem tranquila, antes da largada grande concentração dos coloridos parapentes nas poucas térmicas existentes.  Eu ainda não me sinto super a vontade numa térmica com 50 parapentes acima de mim...


Acabei largando um pouco atrasado, e os pelotões foram se definindo rapidamente.  Um dia de voo difícil, bastante técnico, contra vento de 33km até Engenheiro Caldas foi bem difícil para chegar no pilão.  Até mesmo para trás tive que voar um pouco, para pegar uma térmica, mas como era um dia de sobrevivência e não de velocidade no final valeu a pena.  Vi muita gente aterrissando, e fui para as montanhas a esquerda da estrada, com isso aumentando as chances de mais atividade térmica.  Várias vezes fiquei a 300m do chão, mas consegui subir, com auxilio de urubus e outros parapentes. 

Prova complicada contra vento dá para ver as montanhas direita, que salvaram meu voo

Sempre me apoiando nas encostas com o vento relativamente forte para GV e o sol batendo fui desenvolvendo  os kms da prova.   Depois de muito tempo conseguir chegar no primeiro pilão, contra vento que exigiu  muita paciência e insistência.  Para o segundo ponto, antena Alpercata, novamente consegui aproveitar algumas térmicas fracas, e a baixa altura.  No final virei a Antena e pousei.  Pouso bem complicado, com linha elétrica a 10m do chão e outra passando dentro do terreno além de um charco, mas no final deu tudo certo.  Resgate na VAN bem rápido com transbordo para o ônibus executivo no posto de gasolina em Alpercata.  Cidade que ficou famosa com o assalto a mão armada do piloto Rangel logo após o pouso.  Algumas horas depois conseguiu recuperar todo equipamento com auxílio da polícia local, que fez um “rapa” na cidade toda, bateram de porta em porta, mas fica a dica de pousar longe das cidades que infelizmente estão cada vez mais violentas até mesmo no interior. 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Valadares News Prova #4

Prova#4

No quarto dia da prova estavam todos animados, afinal a previsão continuava excelente, o céu estava azul com o sol forte desde cedo.  A costumeira longa subida para a rampa sempre um ótimo momento para contar histórias de pescadores de nuvens, cada um contando uma história mais arriscada. 

Quase decolando em GV 2014 (@ Clayton Resende)

Apresentaram a prova para o sul, depois da feliz observação do piloto Moka, que uma rota próxima do rio Doce iria novamente nos colocar fora do NOTAM permanente, já que não conseguiram aprovação a tempo pelo DECEA de um especial para o campeonato.  
Decolagens um pouco confusas, pois o vento virava de Norte para Leste, mas aos poucos o pessoal foi decolando, e hoje com um pouco mais tempo para abertura da janela (faixa de largada) eu estava um pouco mais tranquilo.   Me atrapalhei um pouco antes da decolagem, com os fios do kit rádio capacete áudio embutido recém comprado e instalado, mas no final consegui decolar de forma razoável pela 4a vez consecutiva, provavelmente meu record.

Briefing diário com um visual fantástico (@ Clayton Resende)

A grande surpresa do dia foi a rápida mudança do céu, de zero nuvens para 7/8 de cobertura em menos de 2 horas.  Já bem encoberto antes da largada tivemos que batalhar bastante para encontrar as poucas térmicas disponíveis, mas com 140 parapentes voando, não foi um grande problema.  O vento já estava apertando um pouco com boa deriva, exigindo concentração para subir com o céu praticamente encoberto. Com a base alta, consegui sair para prova numa boa altura, apesar de não estar no pelotão da frente.  As nuvens foram escurecendo cada vez mais, então buscávamos pelos pequenos freixos de sol, que apareciam aqui e acolá.   Visual das velas multicoloridas era melhor apreciado da base na nuvem.  Hoje tive um pequeno descontrole da vela, quando tentei fazer orelha (fechar as pontas da vela para perder sustentação) para evitar de subir mais a vela entrou em pequeno giro, tive um pouco de dificuldades, na segunda tentativa de novo... não sei se foi pela turbulência, pois nunca tive maiores problemas em orelhão... 

Céu as 1530, parecia muito mais tarde, no detalhe algumas velas pousadas

O voo foi aproveitar o melhor planeio, com pouco afundamento, e mapeando o céu com os parapentes a frente.  Alguns conseguiram pegar as poucas térmicas existentes, eu não tive o mesmo sucesso.  Após virar mais 2 pilões, fui quase para o chão em Divino Traira, uns urubus, e um morrote me sustentaram, cheguei muito baixo, e junto com um Trango2 aos poucos conseguimos subir, mas não foi muito, o suficiente para ir até o pilão (ponto de virada), e depois procurar um pouso, algo fácil, pois uns 20 parapentes já tinham pousado em todos os terrenos possíveis ao redor do posto de gasolina JR.   Tinha parapente por todo lado, alguns num pequeníssimo terreno ao lado da Rodovia, que eu jamais teria coragem de pousar até um piloto de Gin Carrera que pousou no topo de um íngreme morro, passei ao lado voando, mas fui para o terreno após o rio, onde uns 6 já estavam pousados.  O momento Indiana Jones foi na travessia do límpido rio Traira, afluente do Rio Doce, e depois uma pequena caminhada (5 minutos) no meio do mato até chegar na rodovia Rio/Bahia e no posto de gasolina BR.

 Atravessando o rio Traira com astronave nas costas...

Ficamos surpresos com a grande alteração da meteorologia pois os modelos de previsão informava previsão de céu aberto, ótimo para nossos voos.  Segundo as explicações do Lucas Machado, zona de convergência atuou na região, umidade que veio do mar mesmo, pelo vento leste.  Com uma fraca rede de estações meteorológicas na região a previsão é difícil mesmo.

Jornal local, notícia de capa, piloto Moka ganhou as 2 primeiras provas na classe Open


Chegando em GV um belíssimo por do sol

terça-feira, 29 de abril de 2014

Valadares News 2014

Valadares News

Muito bacana minha segunda participação num campeonato Brasileiro de Parapente, este que está a acontecendo em Governador Valadares no final de Abril 2014.  Vim para cá de PT-ZTO, meu recém apelidado “teletransportador” fez Cotia-GV em 2h40, com um bom vento de cauda de 25km/h.  Estamos no terceiro dia do campeonato, e já voamos 3 provas, a meteorologia tem sido boa para nós.  Os dias um pouco mais curtos já que estamos no outono, ou seja a partir das 1500 as térmicas diminuem rapidamente, ficam fracas e distantes, condição bem diferente dos voos do final de Fevereiro, quando os dias são mais longos, e as térmicas mais fortes.

Prova #1
Não lembro mais, mas cheguei no Goal.

Prova #2
Cheguei no Goal também, tendo que voar muito baixo algumas vezes, e alguns malabarismos para conseguir chegar.  O mais bacana foi o desvio de 60 graus na rota, quando já estava no planeio final, com vento de frente e faltavam 250m para chegar.  Com vento de frente não tinha muita chance, então desviei bastante para cima de uns morros altos de pedra, sendo aquecidas generosamente pelo sol.  Nesta segunda prova, voei bastante tempo com o piloto Jeison de SP, e fomos nos ajudando e centralizar melhores as térmicas.   A prova foi para o Nordeste, aproveitando o vento diferente do usual, um visual muito bonito, cruzando o Rio Doce, junto com o desafio de falta de térmica por vários trechos, e depois nuvens bem carregadas e sombreadas, que foram a alegria dos que souberam aproveitar, pois vários acabaram pousando... no meio do caminho, como é normal durante campeonatos onde buscamos um pouco mais de velocidade e com isso mais risco de pousar prematuramente.    No planeio final das famosas pedras, estava junto com Delta2 e Cayenne 4, ambas subindo comigo na fraca térmica de final de dia, no planeio final no entando fui deixado para trás, eles chegaram no goal antes de mim, já que o Chili 3 é um pouco mais lento quando totalmente acelerado.  Até estou numa colocação boa, #5 na Sport e #2 na Fun.

Prova #3
Dia novamente com vento sul predominante, foi no entanto bem diferente do anterior.  Decolagens foram demoradas, no final tive que me impor para conseguir sair da rampa.  Subida inicial bem turbulenta próximo ao paredão de pedra do Pico do Ibituruna, levando algumas orelhadas, e precisando compensar os avanços da vela, acabei largando quase 10 minutos após abertura da janela, ou seja perdendo tempo.  Mas junto comigo muitos pilotos também largaram mais tarde o que embolou um pouco o início da prova.  Grandes ascendentes de até 3,5m/s de média, com descendentes igualmente fortes e abundantes, base das nuvens acima de 2000m, foi um voo muito divertido.  Hoje não me congelei em voo como ontem, já que levei mais roupa em voo, mas estava bem frio lá em cima.  Fiquei muiiiito baixo, praticamente na altura de um morrote, mas consegui sair rapidamente com uma térmica bem forte.  Foi um dia turbulento de altos e baixos, dia difícil também, no final não consegui virar o ultimo pilão (ponto de virada), faltava 200m para chegar no goal, mas com vento contra e certo sombreamento era certeza que não ia chegar, então joguei para um morro do outro lado da rodovia fora da rota, fiquei voando encosta por uns 20 minutos, junto com um Enzo1 do Francês, muitos urubus, mas não conseguimos subir.  Pousei no pasto próximo, e vi mais uns 10-15 parapentes pousando no entorno, desta vez não consegui o Goal.  Mas o dia foi muito bacana, um relevo bem diferente com o voo para uma região que eu não conhecia em GV.  Ahh  e o Allan nos visitou com seu motoplanador de asa alta, Sinus, enroscando térmica em cima da rampa e mesmo na rota também vi ele próximo ao ponto do Goal.


Os pilotos paulistas chegaram quase todos próximos do objetivo final, e depois encaramos o gélido ônibus do resgate oficial que não tem vidro nas janelas , ou seja um gelo total após escurecer, voltei sentado no corredor mesmo, assim pegava um pouco menos vento.  

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Pico do Gavião (Andradas) - Jarinu via Campinas

E mais um final de semana com tempo muito bom na região Sudeste, apenas o vento foi muito fraco e acabei tomando a decisão (errada) de ir para a rota NW no sábado, Casa Branca / Porto Ferreira.  Mas mesmo assim o voo deu 60km, mas outros que foram na proa de Limeira/Piracicaba chegaram nos 100+km. 

Já no domingo, dia de voltar para São Paulo, não tinha duvida alguma, a rota era na proa de Campinas, e assim foi.  Já na saída vários parapentes ficaram muito baixo, e o "Shumi" acabou pousando em Jardim, o Zé dos cem (Marquinhos Leme), ficou muito baixo nos morros atrás de Jardim.  Eu fiquei espero, e voltei para a planície, e consegui subir bem, depois disso o voo foi lento mas consistente, térmicas fortes, e descendentes também.  Pela primeira vez fiz esta rota, nunca tinha passado de Mogi, desta vez foi Jaguariuna, Paulínia até bater em Campinas. 


Chegando na D Pedro próximo a Campinas 

Um dos muitos aviões da Azul passando por perto, na proa de Itatiba 

Não fui direto para Itatiba, porque notei que os jatos passavam por cima daquela cidade, então achei mais seguro ir primeiro para Campinas, e depois virar a esquerda, e voar mais baixo, para não interferir na rota deles. Uma pena porque o tempo estava um pouco melhor mais no setor W.  Vantagem de seguir em cima da D Pedro, facilitando o resgate pós pouso.  Estava voando sozinho havia bastante tempo, e depois de deixar Campinas, um outro parapente se juntou, o Amilcar com seu Torck2, voamos um pouco juntos, o que foi ótimo, pois nos ajudamos, mas ele ficou baixo em Itatiba, onde eu lentamente consegui subir.

A estratégia era chegar na fogueira abaixo, e pegar as 18:00 a ultima térmica do dia, para quem sabe pousar em Atibaia, onde aprendi a voar de invertebrado.   Mas cheguei a 200m acima do solo, e comecei a testar a borda da fogueira, muita turbulência, resolvi que não valia a pena arriscar, pois para subir teria que me posicionar dentro dela, e o risco de tomar fechada forte não era pequeno, com mais altura teria tentado... 


No fundo a fogueira que não consegui usar por estar baixo demais, pousei no canto esquerdo inferior da foto, ao lado da plantação de abóboras, o resgate (Boni) chegou 5 minutos depois, foi um voo de 148km, em 6h45 de voo a bordo da possante Chili 3.