segunda-feira, 17 de abril de 2017

CAMPEONATO BRASILEIRO DE PARAPENTE 2017 - BAIXO GUANDU - FOTOSSS

Equipe Sky Brasil 

 Pousado no fundo do vale, vendaval danado

 Turma do sul tomou conta da churrasqueira da praça principal de Baixo Guandu, fizeram a festa


Despedida do time "Um pior que o outro" no aeroporto de Vitória



Video resumindo os voos...

CAMPEONATO BRASILEIRO DE PARAPENTE 2017 - BAIXO GUANDU


E mais um Campeonato Brasileiro de Parapente voado em Baixo Guandu, simpático município a 180km a  oeste de Vitória.    Evento estava completo com 137 pilotos presentes, incluindo 26 estrangeiros na maioria do Chile/Equador/Colombia.   Pela primeira vez a equipe Paulista estava uniformizada gerando ânimo ainda maior.

Rio doce sempre presente na região da prova 

PROVAS
Não tivemos a mesma sorte na etapa do PWC que aqui voamos 2 anos atrás, muita umidade e a passagem de uma frente fria pelo litoral prejudicaram bastante as condições de vôo.  Prova 1 -  foi clássica, mas no dia seguinte amanheceu chovendo e nem a organização e tampouco os pilotos acreditavam na previsão. Prova 2 - largamos debaixo de forte cobertura, e com as chuvas isoladas a comissão de segurança resolveu suspender a prova, não valeu nada pois a distância mínima de 35km não havia sido voada. Prova 3 - não subimos, e abriu um sol forte a tarde.  Prova 4 – Sondagem perfeita, melhor dia do campeonato, o vento soprou de cauda até as 14:30, infelizmente o juiz cancelara a prova 8 minutos antes (...) novamente não voamos.  Prova 5 – sondagem indicando muita umidade por todas as camadas, esperamos algumas horas na rampa, mas o tempo não abriu.  Prova 6 – de 60km algumas chuvas isoladas prova muito difícil um vento muito forte entrou no meio da prova, possivelmente devido as chuvas atrás da rampa, que derrubaram a maioria dos pilotos, tivemos apenas 18 no goal.  Eu fiquei a menos de 500m do pilão, não tive coragem de encarar baixo o terreno com pouco pouso, voltei e pousei num vale estreito com muito vento e turbulência, mais uma dúzia de pilotos já havia pousado no mesmo vale, fui resgatado na hora pela “ambulância” do campeonato que viu eu pousando.  Prova 7 – no sábado a previsão indicava menos umidade e estávamos mais otimistas, marcamos prova de 72km com chegada prevista no aeroporto de Baixo Guandu, mas o dia acabou sendo muito mais úmido que o previsto com base a 1200m.  Com o principal pilão próximo do Rio Doce na direção de Resplendor muitos participantes pousaram no platô após o primeiro cruzamento do Rio Doce.  Eu voei muito mal, e pousei após atravessar o rio pela segunda vez, pelo menos foi ao lado da rodovia para Governador Valadares, facilitando o resgate.  O forte vento vindo de Colatina derrubou a maioria dos pilotos que fizeram o pilão, apenas 12 conseguiram cruzar a linha de chegada, com vários pousando poucos metros antes da mesma.  Vale salientar que com e exceção dos fortes ventos que sopraram nos últimos 2 dias, a sondagem extraída do site da NOAA acertou praticamente todos os dias, a despeito de nossa desconfiança com as constantes mudanças no tempo.

Nathalia diretamente da Colômbia nos ajudou a animar o time Paulista 

LATINOS
Por se tratar de um Pré-Panamericano tivemos forte presença de pilotos vindo do Chile, Equador, Argentina, Colômbia, Peru, Bolivia e Trinidad Tobago além da Marina Olexina da Rússia e do piloto Ucraniano Vitali Umanskyi.   Deram um sabor mais poliglota ao campeonato além do intenso mercado de venda de equipamentos no ultimo dia.

E na Prova #2 mais de 2 dezenas pousaram nesse campo ... sem completar a distância mínima

FAI & REGULAMENTO & CBVL
Por ser um campeonato Pré-Panamericano tivemos a presença do animado Mitch, que veio dos EUA representando a FAI, apesar de não falar português ou espanhol estava o tempo todo com seu caderno anotando tudo que acontecia.  Depois de algumas cervejas consegui extrair dele muitas informações interessantes, mas no geral ele gostou bastante do nosso evento.  Tivemos uma boa reunião entre a Liga e CBVL com discussão de vários pontos a serem melhorados nos campeonatos tanto organizacionais como de regulamento.  A AGE teve presença de 6 Federações com aprovação das alterações dos Estatutos da CBVL para adequação da legislação do COB e Ministério dos Esportes.

Pedrucos + Rio Doce

EU
No primeiro dia apesar da largada péssima, consegui ir recuperando e cheguei numa posição razoável.  Mas nas outras 2 provas válidas não tomei resultados bons, do contrário errei muito, e faltou analisar a complicada condição meteorológica.  Nenhum piloto de SPORT chegou no Goal nessas 2 provas atestando claramente a dificuldade dos voos.  Pensar de forma mais estratégica fez falta desta vez, também preciso “acelerar” mais nos momentos possíveis.  Caprichar mais no posicionamento da largada também é um campo a ser trabalhado.  Ahhh  junto com os outros amigos de SP fundamos o grupo “Um pior que o outro” assim quem sabe conseguiremos atacar as deficiências pessoais de cada um.


VELA
Voei com a vela Sky Exos, EN-C, gentilmente cedida pelo distribuidor brasileiro Sky Parapentes Brasil, e a vela revelou ser uma boa surpresa.  De aceleração bem fácil tem boa velocidade comparada as outras velas de alongamento similar na classe Sport.  Não tivemos condições muito fortes nesta semana, mas mesmo assim passamos por alguns pontos de turbulência isolados e a vela se comportou muito bem, ela me pareceu um pouco mais estável a colapsos que a Triton 2.  Pessoalmente não levei nenhuma fechada durante o evento.  Claro que é uma vela para pilotos experientes, pois é EN-C.  Espero fazer alguns voos de distância com ela, se a meteorologia de outono do Estado de SP colaborar nos próximos dias, aí terei mais experiência com ela.

Atravessando , meu pouso foi logo a frente ao lado da rodovia na última prova do campeonato 

DIVERSÃO GARANTIDA
Ahhhh mas mesmo indo mal, foi ótimo estar com os amigos antigos do Brasil todo e dos novos também.  A pequena Baixo Guandu nos pregou uma peça, mas em breve espero estar de volta naquela região de paisagem exuberante. Vale mencionar a surpresa do excelente clube local que instalou ótima infra estrutura na rampa e foi extremamente acolhedor na pessoa de seu presidente e pilotos locais.  A organização, apesar de alguns problemas, também garantiu um ótimo evento e a apuração dos pontos saía em menos de 2 horas após a chegada no goal, ponto para os trackers Flymaster adquiridos pela CBVL. Ahhh e o hilário time Paulista... 


Vamos continuar no Xadrez em 3D é muito bom !!!

Time SP

terça-feira, 28 de março de 2017

Santa Rita do Sapucaí - Santa Rita Race 2017


Escrevi praticamente apenas no Facebook em 2016/2017, deixando o blog de lado, mas não quero que o FB domine o mundo, então vou tentar escrever mais por aqui, assim continua sendo um bom "livro de bordo".


Em plena quinta feira saí feliz de São Paulo junto com Nani “Coxinha” rumo a Atibaia para pegar minha Triton que lá ficara esperando a troca de tirante, mas como os Austríacos atrasaram a entrega, fiquei de novo a ver navios.  Passamos rapidamente no pouso de Atibaia na loja da FlyLimit, e continuamos na proa de Santa Rita do Sapucaí, um pouco depois de Pouso Alegre (MG).

Chegamos meio tarde na rampa, mas ainda deu para decolar com os amigos que lá estavam.  Após a minha decolagem, vi que a capa da linha do freio da vela havia rompido novamente !  No penúltimo voo de 200km , o mais longo com a vela, já tinha ocorrido o mesmo.  E agora, mesmo com a linha trocada aconteceu de novo, fiquei muito bravo.  A dúvida, pousar ou continuar ?  Resolvi continuar com curvas somente para a esquerda, usando o tirante C no lado direito, o braço cansou um pouco mas deu para fazer um delicioso voo de 80km inicialmente rumo Lambari, mas na altura de Heliodora mudarmos a proa para São Gonçalo do Sapucai e depois retorno numa cloud street em direção a Pouso Alegre.

Após o pouso comecei pensar melhor na proposta do Cezar e do Benito, da Sky Parapentes, para experimentar a nova vela da Sky categoria “C”.  Eu sou meio “quadrado”, ou seja gosto de voar a mesma vela por muito tempo, mas não tinha muito outro jeito pois mesmo na troca do freio, ele iria ser comido novamente, pois a rodela (em vez de roldana) estava triturando a capa da corda do freio direito.

E lá fui eu com a vela Exos da Sky para a rampa na sexta-feira, com mais pilotos na rampa afinal fim de semana do grande evento do Santa Rita Race se aproximava velozmente.  A vela ainda novíssima e crocante me animou bastante.  Tirei ela da concertina e comecei a notar os diferentes detalhes.  Material bem mais leve que da Triton,  vela bem acabada com clara preocupação de manter tudo menos pesado possível até na bolsa para guarda dos tirantes preso com botão de pressão deu para ver o detalhe.

A inclinada rampa do Clube Sul Mineiro de Voo Livre 

Tudo pronto, estava bem tenso, pois apesar de ter 900horas de vôo , ainda é o momento que fico bem apreensivo.  Dei um toque nos tirantes e a leve vela Exos subiu facilmente a minha cabeça.  Decolagem foi super tranquila apesar da minha tensão, na hora percebi os comandos mais curtos e precisos.  Fui um pouco no lift e já subi na primeira térmica.  Senti a vela um pouco mais “mexida” que a Triton, mas estava voando com 111kg, bem abaixo do peso máximo de 120kg.  E mesmo assim não levei fechada alguma durante o vôo de 3h horas.  Voamos rumo sul seguindo a rodovia na proa da pedra do Baú, claro que o Sergião e Jeison com suas flamejantes velas Zenos (2 linhas) não eram fáceis de serem seguidas.   Comecei a experimentar o acelerador e achei muito mas muito estranho !!! De tão leve que era, nem parecia que estava acelerado, uma grata surpresa especialmente porque gosto de fazer voos de longa distância normalmente acima de 5h.  Claro que fui ficando para trás em relação as Zenos, mas consegui acompanha-los já que me ajudavam bastante sinalizando os caminhos melhores ou mesmo mostrando onde afundava mais.   Junto com o Sergião ficamos lambendo o chão por um bom tempo, mas o zerinho aos poucos foi melhorando e conseguimos voltar para a confortável e refrigerada base das nuvens.

Próximo a Paraisópolis o Eliabe se juntou com sua Triton e surfamos nas belas montanhas da região com um céu um pouco escurecido das nuvens mais carregadas.  Voando junto com os urubus percebi que as 2 velas voavam de forma muito parecida.  Claro que foi um voo mais tranquilo, sem competição com pouca possibilidade de comparação vs. outras velas.   O pouso foi padrão, num ótimo pasto e leve vento de frente até consegui pousar de pé !!!!

DOMINGO SANTA RITA RACE

Briefing nas mãos do juiz geral Matuk

Fomos todos cedo para a rampa, pois estávamos receosos do vento virar repetindo o sábado quando não conseguimos decolar.  Prova de 55km pronta, todos se prepararam rapidamente para decolar.   Decolei ao redor das 11:15 e desta vez levei 3,5 kg de lastro totalizando 116kg como peso de decolagem.  Logo de cara senti a vela mais estável que no primeiro voo.  Ficamos bastante tempo esperando a largada as 12:00.  Cometi um erro estratégica após colar na base fui cedo demais para o norte, me aproximando do cilindro de entrada e fiquei um pouco baixo.  Acabei largando mais baixo do que a maioria dos pilotos e tive que batalhar bastante para conseguir subir novamente.  Nisso já estava com o último pelotão indo em direção a rampa para o cruzamento Norte/Sul, alguns pousaram embaixo de mim, mas junto com o Samuquinha e a Eliana conseguimos subir para próximo da base.

O colorido céu em cima da rampa 

Do outro lado da cordilheira resolvi mudar desviar um pouco pela direita, o que começou a surtir bom efeito, passei vários parapentes já acelerando mais de 50% com a Sky Exos.  Voei sozinho esta parte do voo, pois ainda estava bem para trás da maioria dos competidores.   Na proa para Piranguinho desviei bem para o sul o que para mim funcionou bem, voando em cima dos morrotes em vez do rio Sapucai que era a proa mais direto.  Novamente a vela mostrou-se bem estável, consegui acelerar um pouco mais e senti tudo bem estável.  Cada vez mais baixo tive que parar no meio dos 2 pilões para subir com a mais fraca das térmicas, neste momento inclusive juntei forçar com o amigo Eliabe a bordo de sua Triton 2.  Juntos fomos nos arrastando por um bom tempo, até que próximo ao pilão estacionei para subir mais algumas centenas de metros.  O Eliabe foi direto mas próximo a São Jose do Alegre, na proa da chegada , ficou muito baixo.

Resgate "a full" indo para o goal, que dia bonito ! 

Meio planeio não dava para chegar no goal, estava 400m abaixo, desviei para esquerda ainda acelerado no primeiro estágio, fiquei bem baixo mas quando finalmente cheguei no relevo mais alto, com vento de cauda, as térmicas recomeçaram a funcionar.  Com isso passei mais uma ½ dúzia de parapentes que escolheram ir pelo meio do vale, que estava bem menos ativo.  Resultado da prova que achava que seria péssimo devido minha largada calamitosa até que não foi tão mal assim.  Cheguei em 11 na geral e 5 na Sport, um bom resultado para o segundo voo com a vela Exus Sky.  Senti também ela bem melhor voando um pouco mais pesado.  Já o Cezar (da Pousada Pico do Gavião) ganhou a prova e o campeonato na classe Sport voando a mesma vela que eu, aliás ele estava muito feliz.


Minha boa surpresa foi o Benito me oferecer a vela para voar o Campeonato Brasileiro em Baixo Guandu com a vela zero quilômetro dele, será uma ótima oportunidade para entender melhor ela e puxar um poucos mais os limites.  Agradeço ao Benito e ao Cézar pela oportunidade de voar essa vela de projeto novo e também de poder ir ao Campeonato Brasileiro com uma vela zero quilômetro,  já estou me sentindo top pilot !!!!

Ótima foto da chegada em configuração "trem baixo e travado"

Vale também agradecer a excelente resgateira Nani "Coxinha" e também aos organizadores do #2 Santa Rita Race muito bem organizado, espero poder voltar mais vezes a voar boas provas nesta inclinada rampa da Serra do Paredão.

 Equipe Sky completa no pouso em Pedralva

Recebendo o troféu de #5 na Sport pelas mãos da fiel escudeira Nani Neme
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