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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Macedonia => Itália


E após o campeonato Pré Europeu / Hungaro, foi hora de ir para Itália.  No começo da viagem levei o Indiano Gurpreet até uma pequena cidade Grega, de onde ele iria pegar um onibus para Thessalonik, eu segui viagem.  Acabei indo pela Grécia mesmo, pois o Ferry Boat permitia Camping On Board, que é dormir dentro do motorhome, diferente do transporte via Albânia, mais próximo, que não permitiam essa modalidade de viagem.

Peguei a famosa autopista Leste / Oeste, bem vazia por ser domingo, e pela crise que assola o país

 Vila encrustada na montanha

 Parei para comer algo, tive que apontar o que queria pois o cardápio estava complicado

Como cheguei cedo em Igoumenitsa fui até a praia matar o tempo, muito bacana 

Com um por do sol ótimo, enquanto cozinhava o jantar 

Já no Ferry Boat 

 E 10 horas depois o desembarque na Itália


E o paraíso no primeiro supermercado em Bari, depois de 2 1/2 semanas na pequena Kruschevo, a fartura de frios chamou atenção mesmo

Hungarian & Pre European Open

Campeonato Pre Europeu + Húngaro

Após o British Open, tive alguns dias de descanso, quando fui andar de bicicleta, lavar roupa, etc...  E estava 100% preparado para este novo campeonato, alguns pilotos ficaram para este campeonato, mas a maioria era gente nova mesmo.  Do ponto de vista humano foi muito interessante, um grupo de pilotos bem diferente do evento anterior.  Uma enorme mistura de nacionalidades, destacando-se em maior número os Húngaros, Sérvios, Macedônios além de pilotos da Lituânia, Ucrania, Polonia, e assim por diante, das Américas fui o único representante.  A idade média dos pilotos muito menor do que no campeonato Inglês, certamente deu um ritmo diferente, com pilotos mais competitivos e um pouco mais agressivos também. 

O custo de vida é baixíssimo, hospedagem num hotel menor com café da manhã custa 10 Euros, amiga Venezuelana/N. Zelândia alugou um quarto por 7 euros... Refeição sai de 3 a 4 Euros, valores imbatíveis na Europa toda (e diria que quase no mundo inteiro), lugar seguro com população simpática, nenhum piloto teve qualquer problema de segurança pessoal.  Zlatko e outros tem sistema de levar o pessoal para rampa de van, briefing e resgate já organizado, para quem não gosta de voar em campeonato.   Até um planador eu vi numa pista de grama próximo a Bitola, estava pronto para decolar, mas não o vi e vôo.

Provas
Tivemos os 3 primeiros dias, com tempo ruim, mas depois tudo voltou a melhorar, e voamos 3 provas com vento N/NE, portanto sempre um zigzag com pouso próximo a Grécia, após a cidade de Bitola.  A região é muito boa para o voo sem motor, só elogios mesmo, decolagem fácil, amplas possibilidades de pouso, por este motivo pelo menos uma dúzia de campeonatos são organizados neste lugar.   

No primeiro dia tivemos uma prova curta e rápida, com dia ainda fraco pois havia chovido um pouco nos dias anteriores, mas no final não tive dificuldades para chegar no goal.  Já no segundo dia, fiquei indeciso no posicionamento da largada, e acabei não indo nem no grupo que foi para frente e nem onde estavam a maioria dos pilotos, resultado que na largada eu estava baixo e mal posicionado.  Corri bastante atrás do atraso, saindo de térmicas mais fracas, largando grupo para trás, o que funcionou razoavelmente, pois consegui adiantar bastante em relação a maioria dos pilotos.  Mas não consegui nem chegar perto do primeiro pelotão, fiquei em #3 na prova, porém 200 pontos atrás do Martin e do Lituano... que chegaram muito bem, praticamente junto do primeiro pelotão.  Foi interessante no planeio final com acelerador no máximo (full bar), tive algumas pequenas fechadas na ponta direita da vela, aí tirava um pouco o pé freava um pouco e abria novamente, comportamente benigno para este vela EN-C.

Minha melhor prova em Krushevo
Já no terceiro dia eu queria tentar a 2da colocação, estava apenas 20 pontos do segundo colocado, do Martin já não conseguiria mais alcançar.  Me posicionei muito bem na largada, bem alto, um pouco mais ao Norte, devo ter largado uns 400m mais alto que 90% dos pilotos, que fizeram um caminho um pouco mais ao sul, bem ruim.  E derepente não achava mais parapentes na minha frente, e pensei bom, agora vou voar como se fosse “cross country”, liderei a prova durante um bom tempo, até as velas mais velozes me alcançaram.  Além de voarem mais rápido, eu estava voando sozinho, portanto de forma bem menos eficiente, arrisquei numa região onde descendente de -3m/s insistia em me jogar para baixo, mas sabia que valeria a pena, e logo a frente subi com térmica bem forte.   O dia ficou muito bom com base a 2500m, fomos matando cada pilão (ponto de virada) com certa facilidade, e escolhendo bastante caminhos consegui voar com velas mais rápidas.  Meu concorrente Lituano me passou, pois voa um Trango Xc3 tamanho enorme (L), mas não soube voar na frente sozinho, segundo ele mesmo ficou muito otimista por estar indo bem, e acabou pousando no meio do caminho.  Planeio final novamente cheguei muito alto, junto com os outros pilotos, pois o caminho para este pilão sempre sobe muito.  Chegada 7 segundos após o primeiro colocado da Sport em velocidade, mas tive mais pontos de liderança, terminando a prova em #6 na geral, o que para mim foi um resultado muito bem. 

Foi interessante o planeio final bem longo que fiz ao lado de várias velas, em especial a vela GTO2 da Gin, do excelente piloto polonês, a vela da Gin voa um pouco mais rápido que a Triton 2 que eu vôo, entretanto como trabalhava as linhas o tempo todo, acabei ficando mais alto, além disso é uma vela que necessita pilotagem mais ativa por parte do piloto, que levou uma pequena fechada próximo ao goal, chegamos ambos praticamente juntos.

Encerrando a temporada Macedônica, novamente fiquei no pódio com #2 na Sport, #1 em Time e #14 na geral.  Na cerimônia de encerramento entreguei bandeiras do Brasil para o staff do campeonato, como sinal de agradecimento ao impecável trabalho realizado.  Motoristas + Navegadores + Coordenador de Resgate + Pontuação, tudo funcionou muito bem.

Vale salientar a boa organização do Goran, que além de coordenar toda a organização está presente na comissão de provas, nas decolagens, efetuando briefings objetivos e rápidos e presente no goal também.  


#2 no Pódio ao lado do piloto local Martin


domingo, 28 de junho de 2015

Krushevo British Open Resultados


A organização do campeonato foi impecável, sem crítica alguma.  Os briefings sempre começavam no horário, curtos e objetivos liderados pelo Goran, organizador do campeonato.  O time de resgate também funcionou bem, e isso que estávamos numa região que poucos falam inglês e na média 70% não chegavam no goal. Cerimonia de encerramento incluiu show de dança típica local, que foi super interessante, musica com grande influência Turca, certamente influência da invasão Otomana que durou uns 400anos na região.  Cores das roupas e a própria coreografia um pouco parecida com as danças típicas da Hungria, também invadida pelos Otomanos...




Vale salientar a performance de 2 pilotos da Sport, o Mentor 4 pilotado por Jake Herbert que não deu sossego a todos os pilotos, pegava linhas muito boas, e subia bem nas térmicas.   Ele ficou em 11 na geral, e 28 pontos a minha frente.  O piloto local Martin Jovanoski a bordo do seu Icaro Maverick fez ótimas provas, mas foi ousado demais, acabou não chegando no goal nos últimos dias, sua vela com cor muito diferente chamava atenção e ele estava quase sempre na dianteira. 

Os pilotos brasileiros André, Michel, Alan e Bruxel foram também absorvendo bem os conhecimentos da região, cada um aprendendo bastante.  Formamos uma boa equipe, demos muitas risadas durante a semana toda.   O Time Força Sul Americana, que além dos pilotos acima incluiu a vencedora feminina, Venezuelana,  Joanna de Grigoli terminou em #3 lugar entre as esquipes formadas, rendeu um bom brinde de Pro Secco que eu trouxe da Itália.


Eu tive uma performance acima das expectativas, pódio da Sport

Joanna levou o primeiro Feminino voando Gin Gto2

Resultado geral #2 Sport, #3 Serial e #12 na Geral




 Resultado da Sport, classe que eu vôo


 Resultado Geral





Krushevo Fotos Fotos Fotos

Pequeno filme para dar idéia da região

Menu de refeição num dos pequenos restaurantes 

 Ruela da pequena Krushevo

 Montana Hotel sobressaindo na paisagem da cidade

Os espanhóis e Joanna, quando voltava para o hotel

 Pouso no aeroclube, nenhuma avião a vista, mas mantinham a pista gramada, vi máquinas cuidando, mas o movimento é 1 a 2 aeronaves por mês... (eu acho que é aeroclube, se alguém conseguir decifrar o que está escrito :-)

 Todos querem voar 

 Comemorando goal com o Michel no penultimo dia, quando cheguei bem

 E pusemos o Pro Secco ganho na Itália para comemorar

Chegada em mais um goal

A conta do jantar de 5 pessoas , equivalente a 7 euros por cabeça...

Os Brasileiros 

 Dia sem voo fomos visitar o antigo monastério de Treskavec

Em estado bastante precário, sendo recuperado 

 Construção muito antiga, que tem longa história desta conturbada região da Europa

 Subimos até o topo da montanha ao lado de Prilep, uma íngreme caminhada com ótima paisagem, não parece um dos monstrengos do filme Senhor dos Anéis (Rowlings) ?

 No topo !

 Grande parte do Monastério pegou fogo várias vezes

 Corte de cabelo em Krushevo, Euro 1,10 ...

Solar impulse é notícia aqui também ! 

Tentei ler o jornal enquando cortava o cabelo... mas foi meio difícil entender alguma palavra

Krushevo Resumo das Provas


Não consegui manter o blog em dia, mas aqui vai um resumo geral deste excelente local de voo.   Voamos do segundo ao penúltimo dia, 5 provas válidas, sendo que uma delas foi interrompida por vento forte no pouso.  

Antes da largada, muita gente com dificuldade para subir no início

Local muito bom para voar de parapente, a grande planície de Pelagonia, protegida por montanhas por todos os lados, e por este motivo é um local com relativa pouca turbulência e com muita opção de pouso.  Pequenos vilarejos pontuam a região toda, e plantações familiares por todos os lados, com ampla possibilidade de pouso. 

A pequena Krushevo ao fundo

Tivemos meteorologia relativamente fraca, apesar de ser o início do verão, as temperaturas estão muito abaixo do normal, com noites em Krushevo sempre abaixo de 10 graus, alguns dias com 5/6 graus.  Nos voos tivemos que ter muita paciência alguns dos dias, especialmente no ultimo, com vento forte e muita sombra, a estratégia acabou sendo muito importante para completar a prova.  Alguns momentos voamos totalmente no contra vento para ir para o sol e esperar alguma térmica encorpar.  Em outros momentos era planeio sem acelerar torcendo para encontrar algo em cima dos vilarejos e elevações, pois o céu não mostrava nada.  

No planeio final, quando fui o ultimo a pousar no Goal, mas cheguei ! Notem a pequena elevação a frente, sempre nessas regiões subia.

Aprendi bastante neste campeonato, corrigindo meu erros iniciais, em especial nos primeiros dias quando ainda teimava em voar sozinho, não me preocupando muito com os pelotões.  Nas Provas #2 e #3, fui um pouco mais lento que os demais justamente por não analisar melhor o que o grupo estava fazendo, foram dias secos, com céu azul, e com a planície funcionando muito pouco a maior parte dos pilotos deu uma volta maior pelas montanhas, e eu fui pela planície.  Resultado que fiquei baixo várias vezes, fui salvo por uma cegonha mas mesmo assim foi o último a chegar no goal dos 23 (de 85) com média de velocidade bastante reduzida. 

Pedras salvadoras depois de longo voo na planície

Já na prova #3, novamente fui um pouco mais lento por insistir em ir para a frente sozinho e não usar mais as informações do grupo.  Peguei uma bombástica térmica de 3,5m/s (média), e estava quase no planeio final, faltava 300m para entrar no cone, mas nessa prova interromperam ela quando os primeiros estavam próximo do goal.  E como aqui eles rodam o relógio 10minutos para trás, minha posição era baixa... e com isso minha pontuação sofreu bastante.  A decisão foi muito acertado, pois o vento aumentou muito depois, apesar da chuva ter passado do lado, estava bem ameaçador.


Já nos últimos dos dias tentei voar um pouco mais com o grupo que estava por perto, estratégia que funcionou um pouco melhor apesar da meteorologia ser ainda mais difícil.  Tivemos que enfrentar vento, grandes sombras e usar muita estratégia.  Vários pilotos que num momento estavam altos ao meu lado logo em seguida estavam pousando por não usarem boas linhas de sustentação, ou por saírem cedo demais da térmica.  Claro que conhecer melhor a região começou a ajudar também o meu voo.   Na prova #4 comecei a acelerar um pouco mais nos momentos possíveis, sentindo mais segurança na vela, mas ainda posso apertar um pouco mais.  Cheguei com 500m no pouso, altura excessiva, que tenho que trabalhar melhor, praticamente empatei na prova chegando 3 pontos atrás do primeiro colocado da Sport.

Pousando no dia da prova suspensa

No ultimo dia a tática de ir para o sol, e praticamente “estacionar” funcionou bem, foi um dia de muita paciência tivemos que rodar térmicas de 0,8m/s e algumas vezes sem subir, tinha que esperar o pessoal do pelotão a ir em frente, pois voar sozinho seria pouso na certa.   Grupo dividiu-se, fui para o sol quase no contra vento junto com mais ½ dúzia de velas de alta performance, entre eles o André Becker.  Alguns acabaram pousando, pois chegaram baixo demais em cima do morro onde tinha um zerinho.   Esperamos até que o sol apareceu, pois o vento do Norte vinha limpando o céu, trazendo mais claridade. O André subiu tão bem na térmica que abriu mais de 500m de mim !!!  E partiu sozinho em frente, estava seguramente em primeiro lugar na prova do dia, mas infelizmente acabou pousando cedo demais sem chegar ao goal.  Eu encontrei um outro grupo mais a frente e fomos juntos rastreando as esparsas térmicas existentes.  E a maioria deste grupo chegou ao goal, fiquei em primeiro nesta ultimo prova na classe Sport.

Largada no ultimo dia 

Ultima térmica ao lado de Bitola, salvou todo mundo 

Pousando no Goal, próximo a 3 km da fronteira com a Grécia