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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Castelo 2016 - A viagem de muita SORTE !!!!

Depois de um bom tempo sem vontade de escrever sobre o voos, tive tantos acontecimentos bons hoje que resolvi retomar este blog, em tempos de Facebook instantâneo talvez não seja muito relevante, mas pelo menos guarda uma sequência interessante dos acontecimento, ótimas para contar histórias futuras.   Hoje foi um dia muito especial, afinal nunca imaginaria chegar literalmente voando em Castelo, local que não tem aeroporto algum, fica no meio dos morros, mas...   Ahhh antes de mais nada, esta cidade fica no Espírito Santo, ao norte de Cachoeiro do Itapemirim (terra de Roberto Carlos), para terem alguma noção de onde fica.

Apesar do sol em São Paulo, em Cotia o tempo estava assim mesmo, nevoeiro forte

O plano era decolar de Cotia com o PT-ZTO as 7:00 da manhã, havia feito 2 planos de vôo, um até o condomínio aeronáutico da Vale Eldorado, proximo a Atibaia, para abastecer e o outro para Cachoeiro do Itapemirim (ES).  Apesar do sol forte em SP, assim que entrei na rodovia rumo a Cotia vi que o tempo piorava rapidamente, e não deu outra, em Cotia estava com um nevoeiro fortíssimo.  Sem problemas, com calma fui colocando toda bagagem no avião, especialmente a grande mochila de 22kg do parapente+cadeirinha+tralhas, que encaixou de forma bem justa no bagageiro, depois de tirado o capacete.  

Começando a limpar a camada no pedágio da Bandeirantes

Tive que ligar para a sala AIS de SP para mudar o primeiro plano de voo, e para a sala AIS de Jundiaí para mudar o segundo pois fica em outra FIR (alow DECEA vamos facilitar ????).  Ahhh enquanto isso meu primo enviava uma foto do sol forte que estava em Jundiaí, que por coincidência eles estava indo para Ilhéus no mesmo dia.   Mas esse nevoeiro veio a me ajudar muito... 

Na periferia de São Paulo, Perus ou algo assim

Após atrasar 1:30 a decolagem ainda com uma camada de nuvens, já dava para ver o sol, resolvi decolar e a 500 pés furei a fina camada. Com o controle SP fui engolindo os corredores visuais num zig zag danado, e na altura do pedágio da Bandeirantes, abriu tudo.   Alguns minutos pousava na Vale Eldorado para encher o tanque com a preciosa AVGAS. 

Completa o tanque aí por favor !

Rumo a Cachoeiro do Itapemirim o controle SP permitiu eu subir para o FL075, e monitorar a frequência do Centro Brasilia, chamando eles somente em caso de emergência.  Avião no piloto automático, resolvi voar no FL095 (ao redor de 3000m) pois estava mais frio, e consegui um pouco mais de velocidade em relação ao solo.  Além disso cruzei a região de Monte Verde, Campos e Itatiaia com montanhas lindíssimas porém altas.   

Maciço das Agulhas Negras, região bem alta do SE do Brasil, ao fundo o vale do Paraíba

Foi um voo super calmo, com tempo perfeito, e pouquíssimo tráfego aéreo.  Fiquei testando o sistema de rastreamento do Telegram/Xctrack , mas em voo tinha pouco sinal de celular, apenas na vertical de Juiz de Fora e por poucos minutos tive um sinal de internet razoável. 

Pista do aeródromo da Helibrás, em Itajubá, no contraforte da Serra da Mantiqueira

As formações rochosas de todo o voo muito interessantes, mesmo na aproximação de Cachoeiro de Itapemirim, ainda pedras bonitas.  O aeroporto muito bem mantido, pista comprida, com um grande hangar da Itapemirim (empresa de transportes) e 3 hangares do aeroclube local com várias aeronaves muito bem mantidas.  

Na reta final do aeroporto de Cachoeiro do Itapemirim

Assim que cheguei me chamaram pelo rádio, e não deu outra, já parei na sombra debaixo do primeiro hangar.  E conversa vai conversa vem, dá para chamara um taxi ou como é ir até a rodoviária, chega um piloto que escuta nossa conversa.  "Ahh você está indo para Castelo, eu vou lá perto na fazenda do patrão, posso te dar uma carona" , e pronto foi a senha, para meu golpe de sorte do dia.   O piloto ainda perguntou, você prefere que eu traga o helicóptero até aqui, assim não precisa andar os 500m com a bagagem, oferta feita, aceita.  Alguns minutos depois colocamos toda a bagagem no banco de trás e decolamos a caminho de Castelo.  

E olha a carona que eu consegui !!!!

Creio que o voo não durou mais do que 10min, voando a 500" do solo, a 90kts, fui apreciando os morros e a paisagem, além de tirar algumas fotos.  Ele perguntou onde eu ia me hospedar, e iniciou o procedimento de aterrisagem no heliponto... no estádio de futebol da pequena cidade de quase 40.000 habitantes que era próximo do hotel. 

Chegando em Castelo, sede do PWC Brasil 2016

Trem de pouso baixado e travado mas estou vendo os pés dentro de uma cabine ???

Existe alguma forma melhor de chegar num campeonato de parapente ??????  Ainda bem que veio o nevoeiro, o timing não poderia ter sido melhor :-)

O incrível antigo painel do Bell Jet Ranger, tunel do tempo ! Que maquinão

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Parapente Italia P3


Junho 3

Amanheceu mais quente e seco, e o dia foi totalmente diferente. Praticamente sem nuvens na decolagem, e o vale com bastante névoa, mostrando que havia  uma boa inversão térmica no vale, alta pressão segurando tudo.   Decolagens foram mais difíceis, e justo hoje que resolvi decolar um pouco depois tive dificuldades para subir.  Logo minha largada foi ruim, e era o dia para voar acima dos picos.  

Dia bem mais seco, cade as nuvens ???

Time Francês após o briefing discutindo estratégia para o dia

Com isso fui me arrastando em altura média, a prova tinha que ser voada nas montanhas, indo para o vale apenas para “beliscar” a área do ponto.  Não tinha outra forma.  Voamos muito próximo das íngremes encostas, algumas vezes verdejantes, e outras rocha pura mesmo.  Mais de uma vez pensei, seu eu fico nessas árvores só de helicóptero para sair, e parece que teve um piloto que lançou o paraquedas reserva, mas não sei detalhes.  Minha vela estou bastante contente, agora já comecei a me acostumar com ela, bastante estável talvez não tão ágil por vir do Gin Carrera, que é uma vela super ágil. 

O voo foi praticamente todo no relevo, e muito difícil.  Quem ficava baixo ia para o chão, ou seja não recuperava mais.  Quando fui para o ponto de virada no meio do vale, quase fiquei no caminho, consegui uma térmica fraquinha para começar a subir e aos poucos ela foi melhorando.  Já na volta, no contra vento não rendeu muito, e fiquei mais baixo que os demais, com isso perdi “contato” com a zona de ascendentes, e tive que ir para o vale, para não ficar sem pouso, pois haviam muitos árvores, ainda briguei bastante, mas pousei bem numa plantação de forragem para gado.  Vieram conversar comigo, depois ainda peguei carona para facilitar o resgate.  Meu simcard deu algum problema, consegui mandar a mensagem pelo Delorme para organização, e uns 20min a Van já encostava para me pegar.  Minha colocação não foi boa, mas ainda dá para recuperar, vamos ver os próximos dias ! Avanti Brasil !!!!

Fotos abaixo fazem parte de pequenos filmes, mas aqui não consigo fazer upload dos filmes, voando muito próximo do terreno...











Pousei em Fumach 

 Esperando o resgate, que veio bem rapido em 10-15min já estava comigo