domingo, 7 de setembro de 2008

Barreiras - Irecê - Jacobina para alguns...

Sempre falaram que a Bahia é um mundo, a Bahia é o quinto estado do país em extensão territorial e equivale a 36,3% da área total do Nordeste brasileiro e 6,64% do território nacional. Da área de 564.692,67 km², cerca de 68,7% encontram-se na região do semi-árido, enquanto o litoral sendo o maior do Brasil, mede 1.183 km, abriga muitos tipos de ecossistemas, favorecendo a atividade turística por sua rara beleza. Onde voamos ? Lógicamente no semi-árido mesmo. A van que levou todos nós para jantar não estava disponível, então lá fomos nós com 3-4 táxis para levar todos junto com a volumosa bagagem. Tempo parecia lindo, céu azul, tudo parecia ser ideal para o vôo.

No aeroporto o pessoal da ABA (Associação Barreirense Aerodesportiva) , que é dona da pista onde pousamos, foi super solícito. Nos ajudaram em tudo, das simpáticas senhoras, até o pessoal que emprestou martelo, estacas, etc... Até mesmo um ultraleve foi cedido para que o cinegrafista pudesse fazer alguns “takes” aéreos, da nossa decolagem e subida inicial em térmica. Temo tudo para agradecer a excelente recepção. Aliás diga-se de passagem, estão totalmente receptivos a etapa Centro Oeste do Campeonato Brasileiro, eles têm hangar, banheiros, água para lastrear providenciam, enfim é só o pessoal de Brasília telefonar e planejar o evento, o número e o contato está guardado.

Desta vez decolei no meio do bandão, fui a 900m, e começou novamente a ralação, fui tocando em frente para cima chapada, onde já voava o DG808 do Luís, mas estranhei a opção, pois um pouco a Oeste tinha a encosta da chapada com o vale. Fiquei baixo logo de cara... Mas subi bem, assim foi uma boa parte do vôo baixo mesmo. Céu totalmente azul, vento de frente de 20-25km/h, um dia difícil. Demorou para “estourar” o Ximango e o S10 andaram uns bons quilômetros no motor, para adiantar tudo. Fui progredindo aos poucos, em cima da chapada, na estrada de asfalto sempre baixo, desviei a esquerda para a borda da chapada que funcionou muito bem, comecei a pegar térmicas de 3m/s, 4m/s e até mesmo uma de 5.2m/s, que foi a melhor do dia. Paisagem interessante, travessia do São Francisco, várias serras, vales cultivados, grandes extensões sem cultura agrícola. Depois de 2 horas de vôo já dava para perceber que não seria um super dia, a subimos algumas vezes a 3000m msl, mas grande parte do vôo foi a 2500 msl (1500-2000m acima do solo), sempre no famigerado céu azul.

Em Barreiras, passou uma banda... na frente do restaurante, maior som !!!

Fábio e Sérgio voaram no S10 para variar um pouquinho, o Nader foi com o Improta no maquinão ASH25mi. Eu enjoei um pouco hoje, mas não cheguei a usar o saquinho como no dia anterior... Mas no S10VT, Sérgio teve que usar uma máscara de Oxigênio (quase) já que o Fábio mareou e não conseguiu se conter. Pelo menos não fui o único piloto a enjoar eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee !!!!!!

Voei praticamente sozinho, o que foi uma pena, pois no azul mais planadores podem ajudar-se, na procura das invisíveis térmicas. Apenas Egon me alcançou, já depois do Rio São Francisco, atravessamos em Igarité, voamos um pouco juntos. Atravessei uma serra de 1200m (o vale fica a 250m) onde fiquei baixo mesmo, antes do novo vale avistei a pista asfaltada de Gentio do Ouro, no meio deste grande vazio. Em seguida um lindo açude, que ajuda a irrigar a região do vale do Feijão !!!!

Meu drama começou no vale seguinte, próximo a Miroros. Subi devagar, e fui cruzar a próxima serra, mas não consegui passar para o outro lado por 300m... Tive que voltar uns 10km com vento de cauda, para no vale subir muito lentamente. Nessa a maioria do pessoal já estava bem na frente, menos o AS (Improta+Nader) que estavam um pouco atrás, mas tanto que demorei a subir, eles chegaram e me passaram. Consegui passar esta serra, mas ainda faltavam 180 km para chegar no destino, Jacobina, e menos de 2 horas para o por do sol..., vento de frente de 25km/h. O Luís com DG808 estava mais a frente comentou que iria ligar o motor para chegar. Eu não gostei de chegar tão perto do por do sol, numa região super montanhosa sem alternativa de pouso, junto com o Improta, pousamos em Irecê, que outrora foi conhecida como a capital do Feijão. Situada a quase 500km de Salvador, é um grande pólo agrícola regional.

Recepção em Irecê !!!

Pista de pouso excelente, tivemos a ajuda dos locais, acho que foi uma boa decisão de não ter ido em frente, mesmo porque a pista de Jacobina parece estar bem deteriorada, segundo as informações telefônicas com o pessoal que lá pousou. Sem muito preparo para este pernoite fora do plano, fomos a Farmácia comprar escova de dentes, e outros itens de higiene pessoal. Nosso taxi, um moderno Astra, tinha um som gigante no porta malas, coisas do interior mesmo ! O Golden Palace Hotel parece ser o melhor da cidade, mas ainda tem um bom caminho para ser um “bom” hotel.

Mar de fios no DG, junto com o cinegrafista
Acabou a gasolina do Ximango, então nesta segunda não sei bem como farão lá em Jacobina, o plano é voar até Juazeiro do Norte, para nós 530km, se o tempo não foi MUITO bom, teremos um pouco de dificuldade, aí pousamos em Petrolina que fica na metade do caminho. Mais um probleminha, não podemos pousar em aerodromo controlado... Então os planos complicaram um pouco !!!

Pousado em Irecê, uuuufa que dia !!!
Lindo por do sol

Realmente o dia fez jus ao título do Blog, voando sem motor e sem rumo pelo Brasil !!!

Um comentário:

Guilherme disse...

Parabens pelos relatos Thomas!!
Continue nos informando e bons voos para todos voces nessa aventura invejavel!

Guiu.