quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Jacobina - Luiz Eduardo Magalhães - Bahia 2008

Visão da saída de um vale para mais uma serra, lá de cima (clique na foto)

DIA 4
Nossa expedição carinhosamente apelidada de NE2008 virou Bahia 2008, já que pelo quarto dia consecutivo continuamos dentro do 4º Maior Estado da Federação. Vale um agradecimento ao Ronny e ao Romi, a dupla voadora de asa delta que nos deu força em Jacobina, além do Secretário de Turismo da cidade. Tivemos policiamento durante a noite para a guarda dos planadores, já que a pista fica bem exposta ao lado da rodovia. Pista aliás que precisa uma operação “belezura”, pois está um pouco esburacada, o asfalto está bem antigo. Como porta de entrada da Chapada da Diamantina, pelo lado Norte, merece um aeroporto mais digno.

O relevo é algo estonteante na região, com várias cadeias de montanhas próximas, e um micro clima bem úmido, com plantações de abacaxi atrás da serra, frutas e principalmente... de uma erva verde... pois a polícia não consegue chegar, por ser muito inacessível. O Luis com DG808 foi para Juazeiro do Norte, e parece que as condições meteorológicos não estão muito favoráveis naquela região. Base de apenas 1500m, pouco para a região do semi árido nordestino, e mesmo hoje apesar de ter decolado cedo, fez um vôo de “apenas” 550km.

Atravessando o São Francisco, cidade de Barra, com pista ao fundo

O grupo no final decidiu que o melhor destino seria LEM (Luiz Eduardo Magalhães) antes um pequeno povoado denominado Mimoso do Oeste, que em 1998, passou a Luís Eduardo Magalhães, nome do deputado falecido, filho do Senador da República, Antônio Carlos Magalhães. Produz 60% dos grãos dos Estado da Bahia, cidade rica em pleno desenvolvimento com novas agroindústrias se instalando. Do ar contei fora o aeroporto asfaltado que tem excelente infraestrutura, gasolina !!! querosene !!! mais 4 pistas ao redor da cidade.

Bom voltando ao vôo, o Ximango decolou muito cedo tipo 9:00 da manhã para aproveitar o resto das lenticulares que haviam se formado desde cedo, céu encoberto em 80%, mas conseguimos ver claramente as linhas de nuvens que caracterizam a existência de ondas, geradas pelo vento que bate na cordilheira de Jacobina, com o alinhamento Norte/Sul. O Dimas colocou gás neles, o que foi ótimo, pois se divertiram bastante surfando durante 1 hora nessas nuvens que marcam as ascendentes invisíveis. Subiram a te 1500 agl, com 1,5m/s em ar estável. Depois das 10:00 com o início da instabilidade térmica, o ar começou a ficar instável, e tudo isso acabou, mas está aí mais uma excelente experiência de vôo.

Confraternizando em Jacobina

Egon, um pouco mais apressado decolou as 10:30 rumo a LEM (Luiz Eduardo Magalhães), eu decolei um pouco mais tarde as 11:15 junto com o ASH25, mas não foi o melhor momento, pois a cobertura de nuvens aumentou um pouco mais. Vento de 30-40km/h e cobertura de 6/8 a 1000m agl tornavam o vôo um pouco mais desafiador. Ximango e S10 resolveram andar um pouco no motor, pois a atividade térmica era fraca demais para esses pesados motoplanadores. Consegui ir boiando com vento de cauda até o início da próxima serra, onde fiquei muito baixo, perdi o contato com as nuvens, foi fatal, liguei o motor do DG a 33km de Jacobina próxima a Catinga do Moura-BA, vilarejo onde eu iria pousar provavelmente no campo de futebol, se o motor não pegasse, pois era bem acidentado o entorno, ou num pedaço de terra que talvez foi uma pista num distante passado. Passado o susto, voltei ao vôo térmico que foi bem interessante. Com o ventão de cauda, passei a primeira serra, escutando os planadores mais a frente, o ASH25, reportando que estava tudo melhorando, e o Egon lá na frente todo otimista. Haviam nuvens pequenas que balizavam o caminho, finalmente um dia não azul, o que sempre facilita o vôo. Escutei um “brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr” no rádio, o ASW22 teve que ligar o motor, e logo depois o S10 começou a reclamar da dificuldade de subir na segunda (ou terceira) serra. Resolvi desviar alguns graus para o NE, rumo a Xique-xique, já na borda do Rio São Francisco, contornei essa serra, facilitando a travessia desta serra que nem mesmo o classe aberta conseguiu fazer. Numa lagoa feia, encontrei o ASH25mi que fez o mesmo desvio, voamos juntos durante longo tempo, atravessando o rio São Francisco em Barra, pequena cidade que tem uma enorme pista asfaltada.



Começou o bla bla no rádio para onde vamos ? Barreiras ou LEM, faltavam ainda 300km para chegar as 14:30 , como minha média não estava fantástica achava que não iríamos conseguir chegar, pois no mínimo pousaria as 17:30. O avião Caravan estava pousado em Barreiras, esperando instruções para onde ir, o Egon próximo a Barreiras... Depois de muita falação no rádio, decidiu-se por LEM mesmo. Eu continuei no meu vôo sabendo que tinha alternativa 100km antes em Barreiras. E não é que a meteorologia cooperou ? Com vento de cauda de 20-25km/h, conseguimos evoluir bem. Algumas térmicas secas, e fiapos aqui e acolá ajudavam bastante. De longe vi uma enorme fogueira, e decidi ir pra cima dela, junto com a decisão do ASH25, fomos ambos para lá, nos ajudamos durante o vôo , ora o ASH na frente ora o DG, isso foi bem divertido. A fogueira foi muito doida, pois estava tão preta, que não dava para voar totalmente dentro dela, seria IFR total. Tudo sacudiu tremeu, achei até meio perigoso, a câmera de vídeo voando dentro do planador, foi uma zona. O ASH passou reto, não quis nem tentar subir nessa massaroca, sábia decisão aliás. Fiquei indo e vindo, mas no final subi apenas uns 600m sem média muito boa, só valeu a pena porque a câmera de vídeo estava filmando , e talvez saia algo interessante, visão do inferno mesmo. Com minha escova de dentes a bordo e mais uma camiseta, estava tranqüilo para pousar em Barreiras, e ficar mais um dia sem bagagem, pois o Caravan (Cessna enorme que levava o cinegrafista e nossa bagagem) estava autorizada a decolar para LEM. Já próximo a Barreiras, cisquei algumas nuvens, que subiam pouco, e vi um pouco a minha esquerda “a preferida”, vento batia na montanha, ela bem formada, falei comigo mesmo “esta nos levará para o destino” não deu outra, subi 1200m nela, e a 100km entrei no planeio final !!!

Térmica integrada de 7.1m/s, no S10 tá aí !!! Eu não peguei nada maior que 4m/s

Lindo dia realmente, vôo de 588km, seria acima de 600km se não tivesse ligado o motor a apenas 33km fora de Jacobina. O ASH 25 com Sérgio e Improta estão de parabéns, pois foram os únicos que completaram o percurso sem ligar o motor, 600km !!!! O valente Ximango que voou onda, e pegou térmicas por boa parte do dia, fez um vôo de 8 horas !

Ximango PT-PMF nas asas do S10

Hotel sensacional, infelizmente está lotado a partir de amanhã, seremos obrigados a sair, não teve conversa, com quarto enorme, e todas amenidades possíveis. Jantamos no próprio hotel, todos um pouco cansados do longo vôo do dia.

Saint Paul Hotel em Luiz Eduardo Magalhães. mini Maksoud Plaza

3 comentários:

Jose disse...

Tá gostoso de ler, Thomas, parabéns!

Leandro disse...

Amigo. apenas uma correçao. o nome do Hotel é SAINT LOUIS . o blog ta muito show. parabens!

I. Cristina S. disse...

Oii,passei pra agradecer por esse blog tão maravilhoso,ameiiiiii,parabéns.
Através dele to podendo matar a saudades dessa cidade linda, onde passei a minha infância,e é a terra natal do meu pai.Obg mesmo.Já estou te seguindo.
Um abraço!!!