terça-feira, 16 de setembro de 2008

Ximango's Corner e vôo de onda

Desta expedição quase todos planadores eram alemães e de alta performance.  Quando fiquei sabendo que um Ximango iria conosco, fiquei feliz pois pelo menos um representante Brasileiro estaria conosco, fabricado em Porto Alegre desde os anos '90 , o AMT-100 (Ximango) é um motoplanador mais para avião que para planador.  Existem mais de 100 deles espalhados pelo Brasil, tanto particulares como de aeroclubes, mas nunca vi um fazer uma expedição como este.

Admilsoni e Bechelli os Intrépidos Ximangueiros do interior de SP

PT-PMF ficou no hangar da Aeromot por muitos anos, pertencente ao Raul Meyer, que fazia o seu vôo clássico, decolava do Campo de Marte (SP) e sobrevoava a represa de Guarapiranga. Éramos vizinhos de hangar, pois o saudoso PT-PMI também ficou hangarado na Aeromot em SP, e foi com ele que me interessei a voar de planador.

Admilson e Bechelli foram os primeiros Ximangueiros a fazerem uma expedição volovelista e usar as térmicas o máximo de tempo possível.  Realmente ligavam o motor várias vezes ao dia, porém também fizeram um vôo de 335km sem motor com essa aeronave que é bem pesada.  Costumavam decolar em primeiro nos dias com maior quilometragem, andavam um tempo com motor até sentir as térmicas mais fortes, e daí em diante lutavam para voar ao sabor das térmicas.    Animados e incentivados pelo sempre otimista Dimas Sebastião conseguiram voar um pouco de onda em Jacobina, aproveitando o finalzinho dela (vento bate na montanha, e com ar estável gera ondas atmosféricas), já que com o início da atividade termal a onda se desfaz.

Voando acima da camada das nuvens, que eram baixas


Ahh, um detalhe, este é o ximango da primeira série fabricada pela Aeromot,  com o motor Limbach de 100hp, não é a versão mais recente com motor Rotax mais potente.  

O gap entre a onda primária e secundária


Eis o relato escrito pelo Bechelli do último de vôo deles:

Relato do Dia 12
Após as despedidas do dia decolamos de Formosa com o Ximango rumo Sul. Era a volta ao lar, o cansaço já era visível. Desviamos da área de tiro do exército pelo setor ECO. Logo à frente descobriríamos que esse foi nosso grande erro . Estavamos com a cabeça focada em chegar em Araxá; havia muitas vantagens, evitar a terminal Brasília e Uberaba, além do que era uma proa direta pra casa em Vargem Grande do Sul. As únicas que não foram avisadas do nosso plano foram as térmicas... Já na beirada do vale de Unaí verificamos que o dia ia ser difícil e decidimos entrar pelo vale influenciados pelo dia anterior que tinha térmicas melhores no vale do que no plato. Enquanto sofríamos com térmicas fracas que nos levavam até 6 mil pés, começamos a ouvir pelo rádio o Fábio e o Thomas chegando a 8 e 9 mil pés na região de Cristalina. Estavamos voando numa rota paralela à deles porém afastada de 50km. Enquanto eles estavam numa estrada de nuvens , nós continuavamos pela estrada de descendentes. Lutamos bastante e bravamente. Ligamos o motor algumas vezes. O maior trecho sem motor foi de 120 km. (A OLC está dando distâncias maiores. Já contatamos o René para tentar entender e corrigir o que está acontecendo). Chegamos em Araxá no final do dia. O Fábio nos ligou à noite e contou o vôo fantástico feito até Bebedouro. Quanto a nós, tomamos banho no Hotel Dona Beja e fomos para o "bebedouro" ... de cerveja ! Dia seguinte "motoramos" até SDVA para chegar antes da frente fria.

Um comentário:

Cesar Augustus disse...

Que essa expedição de Ximango inspire outros a acompanhar a turma nos próximos anos.
Cesinha